Plaza Mayor, Madrid. As Plaza Mayor em qualquer cidade espanhola, não são, ao contrário do que muitos pensam, a maior praça da cidade, mas sim a praça mais antiga. Madrid, cidade onde “descansámos” durante 5 dias, tem uma das mais amplas, local onde toda a população se junta mas, acima de tudo, espaço obrigatório de passagem de todos os turistas que visitam a capital espanhola. Mesmo ao lado da Plaza Mayor, o Mercado de San Miguel, recuperado há poucos anos é um espaço de encontro de todos que quiserem provar uma das muitas tapas ou bocadillos, acompanhados por um copo de vinho, tão tradicionais da gastronomia espanhola.
La Casa Encendida, Madrid. Esta instituição foi uma das melhores descobertas em Madrid. Um espaço preocupado com o meio ambiente e local de formação, exposições e debate, tem mais de 1700 atividades anuais, a maior parte delas gratuitas, entre cinema, teatro, instalações, workshops, impulsionando a mostra de novos artistas e também o trabalho com ONG’s, onde se destaca o voluntariado junto das comunidades mais carenciadas. No topo do edifício pode ver-se uma pequena horta biológica e muita gente que, à hora do almoço, traz a sua “marmita” e ali aproveita um dos espaços verdes urbanos mais curiosos! Nós, deixámos a nossa marca!
La Libre, Madrid. É também destes espaços que a nossa viagem é feita! Como quase não usamos mapas nas cidades e nos metemos por todos os becos que encontramos, às vezes damos com estas preciosidades que não vêm em nenhum guia turístico! Mesmo atrás do Museu Reina Sofia, existe uma rua cheia de restaurantes vegetarianos, indianos, mexicanos, pequenas mercearias e cafés. Logo no início da rua, aparece o La Libre, um café/livraria que foi dos mais bonitos e convidativos em que tivemos o prazer de entrar até hoje! Livros novos e 2ª ou até 3ª mão, bolos deliciosos, uma decoração fantástica e uma série de ideias para tornar o mundo num espaço bem melhor! Obrigatório!
Guadalajara. Esta cidade, perdida agora no meio de pequenas povoações, já foi de uma enorme importância. Passagem obrigatória no percurso entre Saragoza e Madrid, ainda hoje conserva a porta de entrada da cidade, local onde se cobravam as taxas, embora em muito mau estado. Com uma história dividida entre a cultura árabe e católica, possui uma série de igrejas, azulejaria e imponentes palácios que vão sendo pouco a pouco comprados e recuperados pelo governo local e que dão origem a serviços públicos como bibliotecas, escolas e gabinetes de turismo.
Bizcochos Borrachos. Estes pequenos bolos a que chamam “Biscoitos Bêbados”, constituem uma das doçarias tradicionais de Guadalajara. São pequenos doces embebidos num licor produzido na zona, com um trago a canela e que são uma autêntica bomba calórica! Como todas estas pequenas iguarias, dizem-nos na Campoamor, a pastelaria fundada em 1843, que a receita…é um segredo!
Atienza. Este pequeno “pueblo” perdido no imenso planalto de Castilla-La Mancha, apareceu-nos no caminho depois de um desvio sugerido por 2 amigos que nos convidaram para um café uns quilómetros antes. Nunca um desvio nos soube tão bem! Depois de ter sido fundada por celtibéricos, foi motivo de disputa entre árabes e católicos por mais de 5 séculos, que viam na sua situação geográfica um excelente ponto para outras conquistas. O castelo no topo da montanha rochosa domina toda a paisagem e do seu alto se pode ver toda a beleza desta aldeia e todo uma vista sem limite.
Campismo no Ayuntamento. Em Atienza passa um dos diversos caminhos de Santiago existentes por toda a Europa, embora seja rara a pessoa que o faça. Por ser raro o peregrino, não viu ainda o Ayuntamento (o mesmo que Câmara Municipal), necessidade de construir um albergue para os mesmos. Assim sendo, o espaço municipal fica disponível todos os dias, a partir das 17h, para que os peregrinos aí possam dormir. Nós, juntamente com um japonês que ressonava como se não existisse amanhã, “montamos o acampamento” dentro da Câmara e aí passámos uma bela noite…mais quentinhos!
Paragem ao Sol. O frio já ataca. O sol, por vezes, é já escasso e o vento, esse, soprou com muita força nesta que é a zona mais ventosa de Espanha. Um planalto, quase todo acima dos 900 metros, sem muitas elevações que façam barreira a um vento que sopre muito forte e, por azar, sempre contra nós. Houve dias em que não conseguimos fazer mais do que 35 quilómetros e acampávamos totalmente esgotados. Aqui, numa das muitas estradas que segue sem curvas, um pouco de sol aquece-nos depois de termos almoçado!
Campismo. Num dos dias em que, esgotados, desistimos de pedalar cedo, cortámos à esquerda e chegámos a uma aldeia chamada Viana de Duero. O nome, por ter algo que nos fazia lembrar Portugal, logo nos tranquilizou e sabíamos que aí seria o local ideal para dormir! Minutos mais tarde, uma população muito simpática, na sua maioria idosos, mostrava-nos espaços para montar a tenda, oferecia-nos a sua casa de banho e convidava-nos para tomar um café “a partir das 19h” no teleclub! Após uma noite bem passada, acordámos com 4 graus e com a tenda coberta de gelo!
1000kms. Os primeiros 1000 são sempre uma alegria! Faz-nos acreditar mais, querer ir mais longe, pedalar mais, conhecer mais! Os primeiros 1000 são sempre os primeiros e alegra-nos porque é um começo e o objetivo final, apesar de ainda muito longe (e ainda bem!) nos parece mais próximo!
Parede em Tudela. Já havíamos visto algumas assim, na viagem anterior, mais a norte. Desta vez, foi ao chegar a Tudela, uma vila na qual conviveram durante séculos judeus, cristãos e muçulmanos, banhada pelo rio Ebro, que contemplámos estas pinturas em paredes de edifícios que foram deitados abaixo. Apesar de ninguém nos saber explicar a razão de o fazerem, o que é verdade é que estas embelezam o centro da cidade, dando-lhes vida! Uma ideia a seguir?
Biblioteca em Tudela. Há poucos anos, quando decidiram recuperar o edifício da biblioteca municipal em Tudela, depararam-se com algumas pinturas que surgiram por debaixo de um manto branco que cobria toda a fachada Este da mesma. Depois de todo retirado e de todas as pinturas terem sido colocadas a descoberto, descobriu-se que estas foram tapadas antes da invasão das tropas de Napoleão, para que estes não as destruíssem. Hoje, podem contemplar-se em toda a sua beleza!
Las Bardenas Reales. A este parque natural, com mais de 45500 hectares, a UNESCO declarou Património da Biosfera em 2000. É uma imagem única na Europa, provocada pela erosão que mais parece a superfície lunar. Com elevações entre os 280 e 660 metros, é ainda cultivada em muitos espaços e a Força Aérea espanhola tem aí, desde 1951, um dos seus campos de treino com aviões de combate, o que vem provocando diversas manifestações por parte da população, pela destruição de algumas zonas do parque natural.
Castildetierra. Esta é a maior atração do Parque Natural Las Bardenas Reales e existe até um movimento numa das redes sociais online que o homenageia e lembra as pessoas que o seu fim está para breve e para que tirem uma fotografia frente ao mesmo antes que seja tarde. O Castelo de Terra perde, de ano para ano, mais uma das suas “peças” e no seu topo – onde já existiu até uma santa – agora só umas pedras amontoadas lhe dão ainda o nome pelo qual é conhecido. É proibido passar para a zona onde se eleva, pois o subsolo está cheio de pequenas grutas e, a qualquer momento, tudo cai…como um Castelo de Terra.
Olite. Disse um viajante alemão, no séc. XV, ao passar por Olite: “Estou seguro que não existe Palácio ou Castelo mais bonito e tenho a certeza que não se poderia dizer nem sequer imaginar o quão magnífico e imponente é este Palácio”. Olite foi já a vila favorita dos reis de Navarra. O máximo do seu esplendor deu-se na Idade Média e a fisionomia da vila alterou-se por completo quando Carlos III “O Nobre”, ampliou o castelo. A vila é conhecida como a Adega de Navarra, face ao prestígio dos seus vinhos e a grande quantidade de instalações para a sua produção e vinhas existentes. A Igreja de Santa Maria, de estilo gótico, construída ao lado do castelo, é merecedora de visita.
Pamplona. A nossa viagem em Espanha termina em Pamplona, uma cidade que já fez parte da nossa última viagem mas que, muito sinceramente, nada nos atrai. Além da normal vida noturna dos espanhóis, existente em qualquer outra cidade, e das festas de San Fermin, da qual não somos adeptos por acharmos que é uma crueldade para com os animais, naquela que tentou ser capital europeia da cultura em 2016, tendo perdido para San Sebastian, “no passa nada”, como nos diz um dos seus habitantes. Os Pirenéus estão logo ali!