A FIFA já é conhecida de há muito pela ânsia do poder e do lucro que persegue e pelas tropelias a que nos tem habituado. Desta vez tornou-se vassala das birras da administração Trump na organização do Mundial de Futebol de 2026.
Para não desagradar ao narcisista patológico da Casa Branca, a FIFA colocou-se na posição de sua vassala, no que toca ao tratamento dado pelos EUA aos atletas, técnicos, árbitros e adeptos do evento. Algumas indignidades que a imprensa registou em apenas dois dias:
– Foi recusado visto a Omar Abdulkadir Artan, que é, nem mais nem menos, o Melhor Árbitro Africano de 2025, eleito pela CAF. Apesar de viajar com passaporte diplomático, foi impedido de entrar nos Estados Unidos e reenviado para o país de origem. A FIFA anunciou posteriormente que não poderá arbitrar qualquer jogo do torneio. Entretanto, a UEFA deu uma bofetada de luva branca a Infantino ao nomear o referido árbitro para apitar a final da Supertaça Europeia, entre o Paris Saint-Germain, vencedor da UEFA Champions League, e o Aston Villa, vencedor da UEFA Europa League, a realizar no próximo dia 12 de agosto, no Stadion Salzburg, na Áustria.
– A seleção iraniana passou vários dias a tratar de procedimentos de visto no Consulado dos Estados Unidos na Turquia. As autoridades norte-americanas apenas autorizaram a entrada da equipa nos dias dos jogos. Quinze membros da delegação viram os seus vistos recusados. De cada vez que jogar nos EUA toda a comitiva tem que entrar e sair do país no mesmo dia, com os óbvios inconvenientes desportivos que tal situação acarreta.
– A seleção do Uzbequistão foi tratada como um bando de criminosos ainda na pista de aterragem, incluindo a revista com cães despistadores de substâncias explosivas. As imagens tornaram-se virais na comunicação social internacional.
– Elementos da equipa técnica da seleção do Senegal foram sujeitos a humilhação, obrigados a descalçarem-se e a revistas prolongadas, numa clara atitude de discriminação racial.
– Um jogador internacional do Iraque, Aymen Hussein, foi retido para interrogatório durante quase sete horas à entrada nos Estados Unidos.
– O fotógrafo da seleção iraquiana foi recambiado para o seu país, mesmo sendo portador de um visto válido.
– A seleção da África do Sul chegou aos Estados Unidos muito mais tarde do que o previsto pelo facto de parte da delegação não ter recebido autorização de entrada.
– O visto do jogador internacional Breel Embolo, da seleção suíça, foi colocado sob revisão, tendo apenas conseguido juntar-se à sua equipa vários dias depois.
– Diversos adeptos escoceses, apesar de poderem entrar nos Estados Unidos sem visto através do programa ESTA, viram as suas autorizações de viagem canceladas poucos dias antes da partida.
– 90% dos adeptos marroquinos que já tinham adquirido bilhetes e reservado alojamento viram os pedidos de visto recusados, daí resultando inevitáveis e significativos prejuízos.
A ideia é que quando a bola começa a rolar tudo se esquece. Será mesmo assim? E ainda chamam a isto um campeonato do mundo? Alguém o classificou como o “Mundial da Vergonha”. Mas a vergonha vai para Gianni Infantino que no afã de querer um torneio com o maior número de federações nacionais representadas, de modo a lograr obter o maior número de apoios com vista à sua reeleição na chefia da milionária FIFA, tem vindo a dobrar a espinha desde que o Sem-Vergonha ocupa a Casa Branca.
Mas Infantino não está sozinho. Temos hoje no mundo demasiados governantes sem espinha dorsal, que se dobram de forma calculista perante os loucos que vão ascendendo ao poder nas grandes potências.
Martin Luther King definia assim a estatura dum homem: “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.”
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