Os iranianos já receberam de volta — salvaguardando todas as invenções que ambas as partes vão produzindo — o documento que tinham enviado aos EUA e que, segundo eles próprios, também não era a versão final. Assim sendo, cada papel, carta ou memorando regressa ao ponto de partida. Falta sempre qualquer coisa.
A Trump está a acontecer o mesmo que Putin enfrentou e continua a enfrentar na Ucrânia. O que era suposto ser uma operação militar de três dias ou, no máximo, duas semanas, arrasta-se há anos. E os iranianos, mesmo com a liderança decapitada, não entregaram, até agora, aquilo que os EUA pretendem. O que parecia simples transformou-se num pesadelo.
Trump tem milhares de soldados, centenas de aviões e dezenas de navios — incluindo dois porta-aviões — estacionados no Golfo, que em breve terão de ser substituídos por outros, com custos de milhares de milhões sempre a acumular-se. É o cenário de Putin. Tal e qual. Com a guerra longe de estar resolvida, vive agora o tormento dos ataques ucranianos ao seu próprio território, próximo ou distante.
Dizem os amigos de Trump que tudo isto faz parte de uma estratégia negocial ímpar. Sempre que surge uma proposta, ela regressa com mais três ou quatro exigências, num jogo que Teerão replica ponto por ponto. O princípio do “isto por aquilo” parece estar longe de encerrado.
E quando o Presidente diz que não quer saber das eleições intercalares, a verdade é que está profundamente preocupado, desfocado e a fazer tudo para derreter a magra maioria que ainda detém na Câmara dos Representantes e no Senado. À velocidade a que as coisas estão a evoluir, muito antes de novembro poderá já não haver maioria republicana no Congresso. Ou a existir será contra ele!
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