À primeira vista — e à segunda também — Trump foi e voltou da China de mãos a abanar. Só pode. Se assim não fosse, já teria inundado as redes sociais com feitos fabulosos lá alcançados e tecido industriosos comentários sobre o seu novo padrinho de aventuras. Pouco disse.
Nada de grandes declarações conjuntas, muito menos de contratos superlativos com empresas americanas — vamos ver se o da Boeing fica pelos 200 ou apenas pelos 20 — e apenas tímidos acenos de cabeça quanto à ajuda em relação ao Irão. Trump foi lá passear, descansar e tirar da cabeça a guerra em que está embrulhado. De uma coisa se suspeita: para disfarçar, mais depressa os EUA “raptam” o velhíssimo Raul Castro do que alcançam alguma glória em Ormuz.
Xi, pelo contrário, foi direto e público na sua posição quanto a Taiwan: “Se houver sarilho, não se metam connosco!” Melhor não poderia ter dito. E, em privado, a conversa terá sido ainda mais dura, ao ponto de o presidente americano afirmar que vai ponderar a venda de armas. Esclarecedor?
Xi tem duas faces: a que mostra em público, sempre bonacheirão e sorridente, e o reverso, implacável, duro e disciplinador. Mais: o tempo joga sempre a seu favor. Pode esperar, pode provocar, pode ameaçar. Não é o caso do presidente americano, que dentro de pouco tempo entrará nos últimos dois anos do seu histérico mandato. Com Xi não se brinca.
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