Passa despercebida, na confusão do Irão, a extraordinária viragem na guerra da Ucrânia. Só em março, as forças ucranianas reconquistaram 50 km² em Donetsk, num espaço de tempo infinitamente menor do que o que foi necessário aos russos para capturar esse pedaço de território.
A ofensiva de primavera russa fracassou pesadamente, com baixas inaceitáveis em homens e material, enquanto a Ucrânia está cada vez mais agressiva nos ataques com drones e mísseis próprios. Está a ficar sem munições para os «Patriot» (quem não está?), mas isso não impede que Kiev lance vagas de drones a centenas de quilómetros no interior da Rússia, sempre contra instalações energéticas, depósitos de armas, fábricas militares e quartéis.
A isso junta-se a destruição, cada vez mais acentuada, de equipamentos militares russos, quer na frente de combate quer em posições muito recuadas. Tem sido um período difícil para Moscovo, cuja parada militar do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, a 9 de maio, contará apenas com regimentos militares, sem demonstrações de força com tanques, artilharia, mísseis, aviões ou helicópteros.
A justificação apresentada aos críticos internos é a necessidade de evitar um ataque de drones ucranianos durante o desfile. A isto chama-se derrota, medo, incapacidade de reagir. A Ucrânia, ao longo destes cinco ou seis anos, transformou-se numa verdadeira fábrica de drones de todas as categorias, para defesa e ataque, bem como de mísseis próprios que não necessitam de autorizações externas.
Nesse domínio, é já tão avançada que os seus sistemas estão a ser requisitados por vários países, preocupados com as suas defesas e com as novos formatos de guerra. Trata-se de uma nova realidade testada em combate, e a NATO e os seus membros deveriam estar mais empenhados na construção de exércitos de drones, de toda a espécie e modelo — aéreos, terrestres e navais — em vez de gastarem biliões em caças de quinta geração, quando talvez faça mais sentido aguardar pela nova geração, a sexta, já em testes avançados. Dia após dia, passo a passo, a guerra está a inclinar-se a favor da Ucrânia.
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