Mais do que eleições legislativas, os húngaros referendaram três estratégias fundamentais da sua democracia: maior ou menor ligação à UE, proximidade com Putin e uma aliança desalmada com Trump. Com um recorde de votação pouco vista na Europa, a Hungria percebeu o que estava em causa e os cidadãos foram, de forma maciça, dizer o que querem para o seu país.
Orbán teve 16 anos de governação, e o tempo foi mostrando que se tornara um «peso» inaceitável para a União Europeia e, de alguma forma, também para a NATO, além de ser uma ponta de lança incansável a dar cobertura ao espalhafatoso Trump e ao perigoso Putin. Se continuasse como primeiro-ministro, então mais valeria à Hungria abandonar as atuais alianças políticas, económicas e militares.
Como estava, não poderia continuar. Um primeiro-ministro que se comprometeu com a ajuda europeia de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, mas que, no momento decisivo, votou contra, é um parceiro instável e pouco fiável, numa altura em que a Europa enfrenta — por interposta Ucrânia — uma guerra com a Rússia. O primeiro-ministro húngaro escolheu o caminho errado há muito tempo, e isso paga-se caro. Não era esse o caminho que os húngaros queriam percorrer.
Voltar ao abraço apertado de Putin seria regressar aos tempos do duro controlo de Moscovo, e os cidadãos da Hungria não esquecem o que lhes aconteceu quando, em 1956, tentaram uma primavera política. Foram massacrados, detidos e humilhados. Voltar a Putin seria voltar atrás, aos piores momentos da URSS.
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