Há duas curiosidades nestas eleições: não são cenários fantasiosos de governabilidade ou ingovernabilidade, mas sim o milhão de votos que o Chega recolheu e os 100 mil que calharam à ADN. Os primeiros atiram-se para o buraco dos votos de protesto (coisas indecifráveis e de menor importância), e os outros foram os milagres eleitorais que iluminaram a ADN. Colocadas as cruzinhas no sítio certo, na AD, representariam mais 5,5% dos 1,8 milhões de eleitores que teve. É pouco? É negligenciável?
Faz-se de conta, nos dois casos. Uns porque são menorizados – como os miúdos do Climáximo – e os outros porque ninguém queria que a AD tivesse maior percentagem eleitoral, mais deputados e, por isso, maior solidez. Poderia ser a diferença entre uma maioria relativa da AD e IL superior a toda a esquerda junta. Pois, foi um azar. Já passou. Eram meia dúzia de votos.
Estranhas eleições. Tudo começou mal, é verdade. O dia 7 de Novembro não deveria ter existido. Pois não. Espremidos os resultados, ganhou-se a inquietação de que nada ficou resolvido. Ou esclarecido. Ou fechado.
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