A Península Ibérica está a ganhar um novo protagonismo no ecossistema europeu de startups e capital de risco. Portugal e Espanha somam, em conjunto, 30 hubs de inovação e mais de 17.000 startups ativas – um sinal de que o eixo ibérico está a ganhar dimensão e surge, cada vez mais, como uma plataforma integrada de inovação, talento e capital.
Em 2025, Portugal ultrapassou as 5.000 startups ativas, enquanto Espanha alcançou as 12.000 com mais de 123 mil milhões de valor gerado (segundo o The Spanish Tech Ecosystem Report 2026). Com um posicionamento geográfico estratégico, que inclui uma maior proximidade dos EUA e do Canadá, o bloco ibérico tem também acesso simultâneo ao mercado europeu de 500 milhões de pessoas e a mais de 850 milhões de falantes de espanhol e português: uma vantagem comercial concreta, já que uma startup fundada em Portugal ou Espanha tem uma ponte de negócio para o Brasil, México ou Argentina.
Ainda mais relevante, interessa falar da qualidade do talento ibérico. Recentemente, seis universidades portuguesas foram escolhidas para integrar o top 100 do Financial Times. Espanha conta também com várias universidades bem posicionadas nos rankings europeus, nomeadamente nas áreas de negócios, engenharia, biotecnologia ou matemáticas. Ambos os países figuram ainda no top 5 mundial como melhores escolhas para trabalhar remotamente, reforçando a capacidade de atrair talento internacional. Para quem tem exposição diária ao ecossistema tecnológico, nota-se ainda uma mudança de mentalidade dos empreendedores Ibéricos no que toca a correr mais riscos e na ambição de construir empresas globais.
Um outro ponto positivo no destaque do ecossistema ibérico relaciona-se com a complementaridade entre os dois países a nível comercial – historicamente, os laços culturais são fortes e permanentes. Esta dinâmica tem consequências práticas positivas : startups como a Casafari, Manie e Spotside expandiram-se de Portugal para Espanha, enquanto empresas espanholas, como Ukio, Incapto e Impress utilizaram Portugal como primeiro mercado de expansão internacional.
As sociedades de capital de risco (Venture Capital) portuguesas, como a Bynd, têm prestado crescente atenção a esta dinâmica de crescimento singular na Ibéria, diversificando o portfólio neste sentido e investindo em projetos que se baseiam em Portugal e Espanha mas que têm ambição global.
Os ingredientes para a Ibéria se tornar um hub tecnológico de referência a nível europeu estão reunidos, falta agora ambição e capacidade de execução para transformar esta complementaridade numa vantagem estrutural de longo prazo. Para isso é necessário olhar para Portugal e Espanha como um bloco e alavancar o crescimento tecnológico Ibérico com políticas comuns e que fomentem ligações entre os dois ecossistemas. Isto vai contribuir para a geração de mais casos de sucesso de startups que vão servir de inspiração para as novas gerações de empreendedores e atrair mais capital o setor num ciclo virtuoso.
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