Quem acompanha o percurso de Jane Goodall, a cientista que revolucionou o estudo dos primatas e que morreu em 2025, já a ouviu certamente dizer que “é impossível passar um único dia sem ter um impacto no mundo ao nosso redor”. A verdade é que o equilíbrio dos sistemas essenciais para a vida vê-se, cada vez mais, interrompido e, embora a natureza tenha uma resiliência notável, simplesmente não tem tempo suficiente para recuperar. E, tal como afirma David Attenborough, “é nossa responsabilidade fazer tudo ao nosso alcance para criar um planeta que forneça um lar não apenas para nós, mas para toda a vida na Terra”.
A biodiversidade é um quadro maravilhoso onde se pintam todos os seres vivos que existem na Terra, com a sua diversidade genética e ecossistemas distintos. Ora, nesta pintura não existem personagens secundárias ou figurantes, cada uma destas espécies desempenha um papel fundamental e tem um protagonismo que não lhe pode ser retirado. Basta pensarmos que a ausência de qualquer um destes atores pode alterar o curso da história, encaminhando-nos para um desfecho que, convenhamos, não é desejável. Nunca é demais relembrar que não são apenas as espécies individuais que se veem ameaçadas, mas sim todo o planeta, incluindo a espécie humana.
Os parques zoológicos permitem dar a conhecer inúmeras espécies que, por razões de distância geográfica, existem apenas no imaginário. A complexidade de envolver as pessoas na preservação prende-se com um lema difícil de que apenas defendemos aquilo que nos é próximo e conhecemos. É simples: se não conhecemos, dificilmente protegemos. Poder transmitir quem são os animais torna-se essencial para que as pessoas também possam desempenhar um papel de embaixadores da Natureza.
No final de 2025, o Zoo Santo Inácio, juntamente com os parques franceses Wow Safari Thoiry e Wow Safari Peaugres, criou a Wow Conservation, uma associação que reúne todos os esforços diretamente na Conservação de Espécies através do apoio financeiro, partilha de conhecimentos ou participação in loco. No ano passado, a Wow Conservation doou 100.000€ e, para 2026, o objetivo é atingir quase o dobro. Em julho de 2025, um membro da equipa foi até à Costa Rica, ao Santuário de Natuwa, onde ajudou a melhorar as condições de bem-estar dos animais e pode partilhar com as pessoas nativas o conhecimento e necessidade de algumas espécies.
Tudo isto nos conduz a uma evidência incontornável: a conservação não é um conceito abstrato nem uma missão distante, reservada a cientistas, organizações ou parques zoológicos. É uma responsabilidade partilhada, feita de escolhas diárias, de atenção, de consciência e de ação. Quando compreendemos a fragilidade dos ecossistemas e o impacto real que cada gesto pode ter, quer seja através do apoio a projetos de conservação, da educação das gerações mais jovens ou da simples mudança de comportamentos, percebemos que a proteção da vida selvagem começa muito antes dos grandes alertas e das datas simbólicas. Começa em nós.
E vamos querer continuar a fingir que nada se passa, e que não vemos? Vamos continuar sem alterar os nossos comportamentos? Neste dia 3 de março assinala-se o Dia Mundial da Conservação da Vida Selvagem e todos juntos devemos proteger o que nos foi dado gratuitamente: a vida!
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