A PlayStation anunciou os preços e datas de lançamento para os seus óculos de realidade virtual: 400 €, outubro deste ano, ter em conta que os óculos precisam da PS4, de comandos que são acessórios, e de uma câmara que também é acessório, e de jogos próprios. Também foram anunciados 50 jogos logo a abrir.
Isto para falar um pouco das experiências que tenho tido. Para já baralhamos alegremente várias coisas que se entrecruzam, vídeos imersivos a 360º, realidade virtual e realidade aumentada, não vou fazer um manual completo mas deixo algumas dicas.
Vídeos 360º já todos podemos ver, o YouTube está repleto deles basta procurar por, adivinhem, “360”. Também há fotografias com qualidade impressionante mas os mais populares são alguns vídeo clips em que acompanhamos o artista ou a banda como se estivéssemos junto deles. Há algumas histórias bem contadas e até divertidas, e já há pequenos documentários. O uso mais sério que tenho visto do vídeo 360º é quando nos permite ter quase a sensação de estar numa rua de uma cidade bombardeada na Síria, apenas um exemplo de como, tal como a TV, o vídeo 360º pode despertar consciências. Há também uma interessantíssima experiência, por tudo o que implica, de uma entrevista com Michelle Obama.
Um forma muito prática e relativamente barata de ver estes vídeos é usar um cardboard dos que foram inventados pela Google, simples óculos com lentes básicas e feitos de cartão que muitas vezes são oferecidos. O “relativamente barata” é porque temos que usar um telemóvel, de preferência dos bons, como ecrã.
Estes vídeos podem ser vistos no ecrã de computador mas não terão o mesmo impacto, se não tem os óculos e tem um smartphone experimente carregar um destes vídeos e mover o telefone, vale bem a experiência.
Na realidade aumentada o conceito pode ser muito mais alargado do que o uso de óculos. Basicamente vemos informação acrescentada à realidade “real”. Em tempos foi muito usada uma app do Sapo Casas que podíamos usar na rua, apontávamos o telemóvel e víamos as casas que estavam à venda e os detalhes, um bocadinho “voyerístico” para quem não anda à procura de casa, mas pode ser útil. O melhor exemplo é sem dúvida o dos Microsoft Hololenses que já tive a sorte de experimentar, as imagens virtuais, os jogos, os programas, até ecrãs, se assim quisermos, sobrepôem-se ao que nos rodeia, interagem com a sala de uma forma impressionante, é de facto como se lhe acrescentássemos outra dimensão, é impressionante.
Podia no entanto alargar o conceito e considerar que o Waze ou o Google Maps fazem parte da realidade aumentada. De facto sobrepõem dados de uma série de fontes que me permitem saber o que se passa no trânsito em tempo quase real muito para além do que os meus sentidos alcançam.
E assim voltamos à realidade virtual, que é a aposta principal da Sony e de mais uma série de fabricantes que acreditam que vamos querer passar horas “dentro” de uns óculos como se vivêssemos mesmo o interior de um jogo. Aqui temos mundos virtuais imersivos, mundos desenhados, criados, é tudo falso e às vezes muito bem feito, são em princípio também 360º. Nada de confusões, já lá chego ao titulo.
A experiência é fascinante claro, uma das vezes que testei estava de tal forma imbuído do espirito de um joguinho simples de tiros que ao desequilibrar-me tentei ganhar apoio numa mesa que não passava de uma imagem virtual, enfim é perigoso jogar estas coisas em pé como eu estava a fazer. Na semana passada testei mesmo sem óculos um simulador de condução automóvel que tinha o mesmo problema, mesmo sendo só ecrãs rodeava quem conduzia. Ou seja, muitas destas simulações dão indicações diferentes aos nossos olhos e ao nosso sentido de equilíbrio, nos ouvidos. Confesso que no simulador automóvel enjoei a sério. Também é verdade que isto nunca me aconteceu com óculos de realidade virtual mas muitas pessoas têm sintomas físicos desagradáveis e não conheço ninguém que acredite que podemos estar imersos naquele ambiente mais que uns minutos. Se os fabricantes ultrapassam ou não o problema fará a diferença entre uma tecnologia de futuro ou mais uma moda passageira como foi a última onda de filmes 3D.