Parece paradoxal e, provavelmente, é mesmo paradoxal. Em muitas matérias, ao longo dos anos, a União Europeia transformou-se num emaranhado difícil de desemaranhar. Mas também é verdade que, recentemente, temos tido exemplos que provam o contrário; que, na hora H, a Europa tem sabido reagir. Aconteceu na resposta dada à pandemia de Covid-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde há cinco anos. E volta a acontecer agora, um mês e poucos dias após a tomada de posse de Donald Trump e o fim da aliança transatlântica.
Durante três anos, a Europa não se preparou para combater a ameaça russa, preferindo o conveniente apoio americano à resistência ucraniana. Aqui chegados, o tempo urge e, como diz o povo, é tudo para ontem. E é dos livros: quem não se prepara com antecedência acaba a remediar a situação e, com bastante probabilidade, a gastar mais dinheiro. Como disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen: “Temos de rearmar a Europa. Gastar, gastar, gastar na defesa e na dissuasão.”