Por Carlos Torres
Tal como muitos outros aspectos técnicos na arte da relojoaria, também a corda automática evoluiu ao longo de décadas por um caminho balizado pelo tradicional processo da tentativa e erro. Os ensaios iniciaram-se por volta da segunda metade do século XVIII e a história associou-os a nomes como Hubert Sarton e Abraham-Louis Perrelet. Esta evolução abraçou desde o seu início um denominador comum que ainda hoje se mantém, o rotor ou massa oscilante. Um elemento funcional que se estreou nos relógios de bolso e que posteriormente assegurou o seu futuro com o advento da relojoaria de pulso produzida em série. Entre o surgimento de um e de outro decorreu um século e meio.
O grande passo foi dado por dois visionários: Emile Borer, a quem é atribuída a invenção do sistema moderno de corda automática, e Hans Wilsdorf, o fundador da Rolex. Em 1930 ambos trabalhavam juntos e chamavam a si a “Invenção de um sistema de corda automática que se movimenta sem qualquer ruído, batente ou amortecedor em ambas as direções.” No ano seguinte surgia o “Rolex Perpetual” com o calibre NA 620 de 7,5 mm de espessura, e que de silencioso tinha muito pouco. Uma inovação cuja massa oscilante, apesar de se movimentar em ambos os sentidos, apenas carregava o tambor de corda num sentido.
Em 1978, o filho de Harry Borer afirmava que “quando depois de 1948 se esgotou a validade da patente, e a invenção passou para o domínio público, a técnica genial deste sistema de corda autónomo inventada pelo meu pai foi copiada e utilizada pela quase totalidade da indústria relojoeira nacional e internacional.” Uma afirmação que estaria apenas parcialmente correta já que a empresa Felsa AG, fundada em 1918 e integrada dez anos depois na Ebauches SA, tinha conseguido ainda antes desta data contornar inteligentemente a patente de Borer. Em 1942, o calibre Felsa 692 de onze linhas e meia e uma espessura de 5,8 mm incluía um elemento alternador com base numa engrenagem que polarizava o movimento da massa oscilante. A corda recebia a sua carga a partir de ambos os sentidos de oscilação…
Mas qual será a forma mais eficaz de carregar um relógio automático? Com um rotor bidirecional ou unidirecional?
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