Aos poucos, a atividade económica tenta regressar à normalidade. Fábricas, lojas e restaurantes, entre outros espaços, estão a voltar ao ativo, mas o facto de ainda ser necessário conviver com um vírus altamente contagioso obriga a cuidados redobrados. É aqui que o Thermometric pode dar uma ajuda: é um sistema que pretende automatizar e simplificar no controlo do cumprimento das regras de higiene definidas para alguns espaços como forma de limitar a propagação da Covid-19.
“[O equipamento] Tem um LED em toda a largura do ecrã que serve de iluminação. A luz branca acende e mede a temperatura: passa a verde caso a temperatura esteja abaixo do estabelecido, vermelho se for superior. Na utilização de máscara aparece um fundo vermelho a dizer à pessoa para utilizar máscara”, explica Mário Oliveira, gestor de produto na Beltrão Coelho, a empresa responsável pela comercialização do Thermometric, à Exame Informática.

O design e os componentes deste equipamento foram pensados pela empresa portuguesa Quantico Solutions, mas a produção do dispositivo é feita na China. “São enviados os requisitos de produção e de características de qualidade. Tem a ver com a robustez, a qualidade de construção e, no fim de tudo, na sua forma de funcionamento mais básico, criá-lo o mais simples possível para que qualquer pessoa pudesse utilizá-lo sem problemas. Quando é entregue ao cliente é ligar e está pronto a funcionar”, diz o responsável da Beltrão Coelho.
Além da análise de temperatura, feita através de infravermelhos, e do reconhecimento de utilização de máscara, se a empresa-cliente já tiver implementado um sistema de reconhecimento facial no local de trabalho, também é possível fazer com que Thermometric faça esse mesmo reconhecimento com a máscara colocada no rosto, através de uma análise do distanciamento dos olhos de cada funcionário.
E dependendo das necessidades específicas de cada empresa – que será seguramente diferente de uma fábrica para um restaurante, por exemplo –, também é possível integrar este equipamento de análise com portas de acesso a áreas específicas e também com os cartões NFC do funcionário, para garantir que só quem não tem febre e está a usar máscara é que pode entrar naquele espaço.
Mário Oliveira adianta ainda que os clientes podem requerer a integração com uma plataforma de alertas, para que quando seja detetada febre a um funcionário, por exemplo, a pessoa responsável pela chefia daquela equipa fique a par da situação. Já sobre a questão do registo de temperatura, não é feita uma identificação pessoal do trabalhador, sendo apenas criado um registo ao estilo ‘pessoa com temperatura X às Y horas’.
Por definição, o sistema considera como temperatura febril quem estiver com 37,2º – valor que pode ser redefinido –, sendo que o sistema tem uma taxa de erro de 0,3º, daí a possibilidade de gerar um alerta para que seja feita uma segunda medição ao funcionário em causa. De recordar que a febre é o segundo sintoma mais comum entre os doentes da Covid-19 em Portugal, segundo os dados oficiais da Direção-Geral de Saúde.
O preço de referência para o Thermometric é de 1700 euros, mas o valor varia em função da quantidade de equipamentos que uma empresa comprar ou se opta por uma modalidade de aluguer na qual os pagamentos são faseados.
“Está ainda em desenvolvimento uma terceira medição, à cabeça, para, eventualmente numa fábrica ou num local de construção, a verificação de utilização de capacete”, adianta Mário Oliveira sobre outras utilizações que estão a ser preparadas para o dispositivo. “Caberá mais aos empresários a consciencialização de proteger os funcionários e eventuais clientes”, considera ainda o gestor de produto da Beltrão Coelho.