
A equipa de criptanalistas da NSA terá demorado apenas um mês a decifrar parte do conteúdo que está na escultura Kryptos, na década de 1990. David Stein, analista da CIA, demorou cerca de 400 horas do seu período de almoço, papel e lápis para desencriptar três das quatro mensagens que a escultura contém, no ano de 1998. O seu feito foi mantido secreto e o cientista informático Jim Gillogly anunciou, em 1999, ter decifrado as mesmas três mensagens, usando um computador com um Pentium II.
A misteriosa escultura foi criada a pedido da própria CIA, para decorar um dos seus átrios de entrada. James Sanborn foi o artista escolhido e apresentou um trabalho com quase quatro metros de altura e quatro mensagens encriptadas compostas por 1800 caracteres.
Agora, Elonka Dunin mostra documentos classificados da NSA que demonstram que este organismo conseguiu decifrar o conteúdo de três mensagens antes ainda dos especialistas da CIA, noticia a Wired. Tudo começou quando um grupo de estagiários da NSA aproveitou uma visita de estudo à CIA para copiar o conteúdo cifrado para papel e o levar de volta para a sua sede. Apesar de ter havido uma reunião entre os especialistas, a NSA não mostrou muito interesse em desconstruir a mensagem.
Em 1992, o Almirante William O. Studeman, diretor da CIA e ex-diretor da NSA, lançou um concurso entre agências para decifrarem o conteúdo da escultura. Neste ano, a equipa de criptanalistas da NSA respondeu com entusiasmo e concentrou esforços para o desafio.
Esta equipa rapidamente descobriu que a mensagem estaria dividida em quatro partes, com três cifras distintas e uma tabela criptográfica baseada num método usado no século XVI. A partir daí, a equipa da NSA não terá usado mais o computador e terá decifrado o conteúdo rapidamente. Em dois dias, descobriram a primeira mensagem e detetaram que havia gralhas intencionais destinadas a dificultar o trabalho de quem quisesse interpretar a mensagem. Depois, em menos de um mês, conseguiram decifrar outras duas partes.
As três partes da mensagem apontam para algo que estará enterrado em solo da CIA e o artista Sanborn usou até uma parte do diário do arqueólogo Howard Carter relativo à descoberta do túmulo de Tutankhamon.
Ainda não há provas de que a cifra tenha sido decifrada na sua totalidade ou que a localização para onde aponta já tenha sido também explorada.