A habilidade de um computador atuar como um humano é o tema que tem dominado praticamente o panorama nos mercados financeiros, relegando para 2.º plano um menor fulgor das principais economias mundiais. Apesar das perspetivas desfavoráveis face a uma anunciada recessão económica, à inflação elevada e às muitas políticas restritivas que justificaria uma pressão acrescida sobre os mercados, a euforia que se verifica em torno desta tecnologia contribuiu decisivamente para o desempenho positivo do mercado, com o índice S&P500 a somar 2 dígitos de valorização em 2023. Sem o peso da IA, muito provavelmente o principal índice americano estaria a negociar em terreno negativo.
A provar ser um significante elemento revolucionário da próxima era digital, são várias as empresas que estão a investir fortemente no desenvolvimento da IA. Gigantes da tecnologia como a Alphabet (Google), Meta (Facebook), Apple, Amazon ou Microsoft, trabalham para tornar o “mercado de IA” mais apelativo e acessível, sendo já várias as empresas que adotaram a tecnologia para proporcionar uma melhor experiência ao cliente. Casos como a McDonald’s, que efetuou um investimento de 300 milhões de dólares para personalizar a sua experiência ao cliente utilizando inteligência artificial, ou da parceria que a Microsoft concretizou com a criador do ChatGPT, o OpenAI, para munir os seus softwares com os avanços tecnológicos potenciados pela IA.
Nos mercados financeiros a inteligência artificial tem desempenhado um papel cada vez mais relevante, com avanços no sentido de algoritmos de negociação cada vez mais sofisticados, ajustando automaticamente estratégias de investimento de acordo com os padrões definidos, nas transações financeiras e na própria gestão ativa de portfólios.
De acordo com alguns estudos efetuados, nomeadamente pela Next Move Strategy, espera-se que o mercado IA mostre um forte crescimento na próxima década. O seu valor atual – perto de 100 mil milhões de dólares – poderá crescer até 20 vezes, atingindo um valor estratosférico perto dos 2 biliões de dólares até 2030. Os recentes avanços estão a alimentar o otimismo sobre o aumento da produtividade das empresas nos próximos anos e, embora os setores Healthcare, Tecnologias de Informação, Financeiro ou Marketing possam ser os principais favorecidos no curto prazo, outras áreas relevantes como as cadeias de distribuição e pesquisa & análise, podem beneficiar ainda mais da IA.
Importa ainda salientar que a euforia relacionada com IA serviu como um “trigger” para o setor dos Semicondutores, que agora aponta para um aumento nas suas expetativas de crescimento no segundo semestre do ano. Dentro desta indústria existe claramente um vencedor, os “Chipmakers” ou fabricantes de Chips, que têm desfrutado de sucessivos rallies nas sessões de bolsa, destacando-se por criarem os “cérebros” para os modelos de IA. Recentemente, a Nvidia – que duplicou o seu valor em mercado desde o início de 2023 – entrou, ainda que por breves momentos, no restrito grupo das “trillion-dollar baby”, após ter atingido 1 bilião de dólares de capitalização bolsista. Destaque também para a Marvell e a Broadcom, ambos produtores de semicondutores, que negociaram em máximos de 52 semanas.
Poderá a IA “mudar o mundo”? Para já são os investidores que acenam positivamente à tendência binária. As fortes valorizações das “Big Techs” nestes primeiros 6 meses do ano reforçaram ainda mais a confiança, levando a um aumento de exposição ao setor nos seus portfolios, com as ações e ETF a destacarem-se como principais instrumentos de negociação. É caso para dizer que, apesar dos riscos, podem existir grandes recompensas nesta nova “relação simbiótica”.