O novo robô criado pela equipa da Universidade de Bristol é capaz de monitorizar o ambiente que o rodeia para decidir como se movimentar e como agarrar objetos com precisão. A inspiração vem do sistema nervoso central do polvo. O robô sabe como usar a sucção para se fixar em objetos e também a utiliza para ‘sentir’ o ambiente e controlar as suas ações.
O sistema permite segurar delicadamente em objetos sensíveis, perceber se está a tocar em água, ar ou uma superfície dura e ainda prever quão duros são os objetos que está a tentar manipular, sem ter de recorrer a um computador central.
Nos polvos, há uma hierarquia neuromuscular eficiente que permite uma grande destreza e a criação robótica integra ventosas com sensores, computação integrada nos membros e um raciocínio centralizado de elevada capacidade. Os investigadores quiseram replicar o funcionamento dos polvos e explorar a energia fluída e a capacidade de informação destas ventosas, bem como de elementos computacionais moles e atuadores moles também, explica o Interesting Engineering.
Tianqi Yue, que lidera a equipa, explica que “no ano passado, desenvolvemos uma ventosa de sucção artificial que replica a forma como os polvos aderem a rochas usando materiais moles e selamentos com água. Esta pesquisa traz esse trabalho mais para a frente, desde usar uma ventosa como os polvos para se ligar a objetos até usar uma ‘inteligência de sucção integrada’ – replicando aspetos fundamentais da estrutura neuromuscular do polvo num sistema robotizado mole”.
A abordagem tira partido de trabalhos de sucção inteligente que permitem ao robô segurar delicadamente em objetos, enrolar-se de forma adaptada e rodear objetos de geometrias desconhecidas. Por outro lado, ao descodificar a resposta de pressão de uma ventosa, os robôs conseguem atingir uma perceção multimodal de elevado nível, o que lhes permite detetar contacto, classificar o ambiente e a rigidez das superfícies e prever uma força interativa de puxão.
A solução abre caminho a uma nova geração de robôs moles, mais capazes, seguros, inteligentes e com um melhor consumo energético capazes de, por exemplo, ajudar na apanha da fruta, manipular objetos delicados em fábricas e até mesmo gerar soluções diferentes no campo da medicina.
Leia o estudo publicado na Science Robotics.