Cerca de 14% das atuais grandes empresas estavam, nos últimos 10 anos, no grupo das 1 000 PME. O que significa que existe nas pequenas e médias empresas nacionais um grande potencial de crescimento. Esta conclusão é resultado de um estudo sobre as Melhores PME, apresentado esta terça-feira na conferência da Exame por Augusto Castelo Branco, diretor comercial e de marketing da Informa D&B.
O estudo demonstra igualmente que as nossas PME estão “mais sustentáveis” , com “menos risco” , têm uma “forte presença no mercado externo” e estão “mais preparadas para se tornarem as grandes empresas do futuro”. A prová-lo estão os indicadores da análise da Informa D&B: 75% apresentam risco mínimo face à sua sustentabilidade (a média do tecido industrial é de 42%) e 50% do crescimento do País vem do forte dinamismo demonstrado por este tipo de empresas. Até porque três quartos das 1 000 melhores PME estão vocacionados para a exportação e um quarto do volume de negócios é gerado no mercado externo.
A fotografia deste setor, apresentada no CEiiA em Matosinhos, fica mais nítida quando sabemos que neste segmento “há um forte domínio das indústrias transformadoras e grossistas”, sendo que “mais de 60% têm vindo a ganhar peso nos últimos dois anos”. Dado interessante é constatar que o peso da construção civil tem vindo a diminuir.
A mais pequena das PME analisadas tem um volume de negócios de 11,4 milhões de euros e a maior fica nos 49,3 milhões. Cerca de 67% estão no intervalo entre os 10 e os 20 milhões. São empresas maduras (64% contam mais de 36 anos), estão localizadas sobretudo no norte e no centro (67%) e são geralmente de gestão familiar, constituídas por capital nacional privado. Por último, são empresas que, entre 2014 e 2017, mostraram um dinamismo e um desempenho em quase o dobro daquele que foi refletido pelo total do tecido industrial, principalmente quando se olha para o volume de negócios, o valor das exportações e o número de empregados. Aliás, o crescimento do volume de negócios foi superior ao crescimento do número de empregados, o que revela “ganhos de produtividade”.
Como podem então crescer estas empresas? Atendendo à comparação com o estudos das 500 maiores e melhores empresas, percebe se que a diferença está na entrada de capital estrangeiro, que se tornou predominante, e na mudança para uma gestão independente.

As PME estão mais sustentáveis e têm menos risco, segundo o estudo apresentado por Augusto Castelo Branco, da Informa D&B
Lucília Monteiro
Proporcionar ponte entre PME e investidores
Mas como convencer um empresário que ao longo da vida aguentou a sua empresa a meter capital externo para a capitalizar e assim poder crescer? Foi o tema que abriu a conferência da Exame, com o administrador do Banco BiG, Mário Bolota, a dar algumas dicas sobre o programa Capitalizer, uma plataforma digital que pretende ser “uma espécie de montra para investidores e empresas”, dando informação sobre soluções de capitalização e proporcionando encontros felizes entre uma empresa que procura capital e o investidor interessado.
Até porque “ambos falam linguagens diferentes” e é necessário intermediar. Mas, de acordo com Mário Bolota, os setores que mais têm chamado a atenção são a metalomecânica, os componentes automóveis , os moldes e têxteis. O turismo também.
Mas uma coisa é certa: o empresário que quiser ter um investidor tem de ter capacidade para partilhar informação e, por vezes, também os atos de gestao. “O perfil do investidor é relevante, mas também quer ter a certeza que o empresário está comprometido”, sublinha o administrador do Banco BiG.
Envolver capital de risco ou um outro investidor pode ser uma boa alternativa ao crédito bancário, mesmo em tempo de baixas taxas de juro.

Lucília Monteiro