Foi nas paredes do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra que várias mulheres denunciaram o assédio sexual de que estavam a ser alvo naquela instituição. Depois da pedofilia na Igreja, da língua do Dalai-lama, o alarme social centra-se agora num artigo que descreve eventuais práticas levadas a cabo por, entre outros, Boaventura Sousa Santos, “The Star Professor” (O Professor Estrela), como é descrito no artigo “The walls spoke when no one else would” (As paredes falaram quando ninguém se atrevia)
Além da denúncia em si, o Diário de Notícias recolheu outros testemunhos que, de alguma forma, credibilizam o manifesto das três autoras do artigo. Aparentemente, as condutas inapropriadas até foram alvo de debate no Conselho Científico da instituição, o que indicia que o assunto era sobejamente conhecido. Na sequência da polémica, uma investigadora brasileira juntou ao coro de denunciantes: “Ele é brilhante, mas infelizmente tem dessas coisas”, que é como quem diz “dá-lhe para aquilo”. Entretanto, Boaventura Sousa Santos já reagiu, primeiro dizendo estar a ser alvo de cancelamento, esse upgrade moderno das fogueiras da Inquisição, e depois, anunciando a apresentação de uma queixa por difamação, algo que o segundo visado nas denúncias, o sociológico Bruno Sena Martins, já tinha feito, mas o Ministério Público arquivou o processo por não conseguir notificar uma das autoras.
