Foi num quarto de hotel, na Alemanha, numa manhã em que o seu computador portátil teimava em não arrancar, que Francisco José Viegas se pôs a escrever num daqueles bloquinhos que costuma haver nas mesas de cabeceira dos hotéis. Nesse mesmo dia, o escritor comprou um caderno lindíssimo e, sem saber exatamente naquilo em que estava a embarcar, deu início a uma viagem sem regresso.
“Passei a escrever os romances à mão, em cadernos de tamanhos diferentes e com lápis e canetas de várias cores (preto, azul, sépia)”, conta Viegas, mais de 20 anos depois. “O inspetor Jaime Ramos regressa em breve, o novo livro já vai em dois cadernos”, avisa os seus leitores, com um sorriso. “E mesmo as crónicas pequenas para o jornal [Correio da Manhã], na maior parte das vezes escrevo-as à mão primeiro. Garante-me disciplina e fluidez. Ao contrário do texto em computador, que permite que nos preocupemos e percamos tempo com questões gráficas ou tamanho, escrever à mão liberta-me, ajuda a concentrar-me.”

