“O futuro da Ucrânia é na União Europeia. Foram 120 dias e 30 anos de espera.” As palavras de Volodymyr Zelensky têm algo de poético e sinalizam o novo estatuto da Ucrânia desde ontem ao final da tarde, numa decisão ímpar e histórica dos líderes europeus reunidos em Conselho: o de país candidato à União Europeia, numa circunstância única – há quatro meses em guerra e três décadas depois de se tornar independente, com o desmoronar na velha União Soviética. Algo que há pouco tempo atrás parecia impossível. A decisão da EU envia uma poderosa mensagem de solidariedade com Kiev e um sinal inequívoco a Moscovo sobre o empenho do bloco em apoiar o país invadido.
O estatuto de candidato, que foi ontem também concedido à Moldova, é um estreito corredor que se abre, e que marca um longo e extenuante processo, que deve incluir ajustamentos e mudanças internas tendo em conta a aproximação necessária dos padrões da União numa série de parâmetros institucionais, legais, económicos e democráticos. Algo que demora em média uma década para a maioria dos países (como Portugal), mas que para a Finlândia, Suécia e Áustria demorou menos (respetivamente, cerca de 3, 4 e 5 anos).