“Os argentinos podem ganhar a Copa do Mundo, mas nós temos esta vista”, diz ele à mulher, de olhos postos nas impressionantes cataratas do Iguaçu, com um copo de vinho branco na mão. O sol começa a pôr-se sobre as cascatas. O movimento das águas, caindo, é hipnótico. A chuva deste ano fez aumentar em quase quatro vezes o débito de água. São mais de 6,5 milhões de litros por segundo, precipitando-se de uma altura de cerca de 75 metros. O som faz lembrar o de uma tempestade em alto-mar. O vento e a força da água encharcam os visitantes que assistem ao pôr do sol junto à passarela que atravessa o rio Iguaçu. A rivalidade entre brasileiros e argentinos não se fica pelo futebol. Aqui mede-se a beleza de cada lado da fronteira. Do lado de lá, fica a Argentina. Do lado de cá, o Brasil, onde neste final de tarde se serve vinho branco chileno e espumante brasileiro de Santa Catarina para brindar ao pôr do sol.

Trem da Serra do Mar Paranaense
A viagem dura cerca de quatro horas, passando pelo meio de uma densa Mata Atlântica, atravessando a serra do Mar
Numa árvore muito alta, de galhos finos, uma família de quatro quatis – um mamífero semelhante a um guaxinim – prepara-se para a noite, indiferente às conversas dos turistas e à fúria das águas que os impressiona. No Parque Nacional do Iguaçu desaconselha-se a levar comida, por causa destes pequenos e muito atrevidos habitantes. Mas desta vez os quatis não estão interessados nos humanos, que se despedem da paisagem neste final de dia, de olhos fixos no rio Iguaçu, que ali se junta ao rio Paraná.
