A tristeza de Palmira Maganinho, protagonista involuntária de um filme com laivos de tragédia, é tão imensa como o mar que tem andado demasiado próximo do restaurante da família no Furadouro. Onde noutros tempos existia um extenso areal, passam agora constantemente camiões carregados com grandes pedras que são despejadas mais à frente para defender a costa. “É desolador olhar o que resta da praia, nunca vi nada assim”, diz-nos muito depressa, numa tentativa de esconder a emoção.
Manhã de sexta-feira, 19 de junho. Já começaram os preparativos para os almoços no Maganinho e, em havendo, daqui a pouco vale a pena pedir uma dose de raia à mar, prato delicioso que na descrição de Palmira leva “muita cebolinha e azeite do bom”. Está um calor inusitado para esta altura do ano na região, mas a praia ainda não abriu para banhos – e nem poderá, pelo menos, até meados do mês que vem. A realidade não corresponde em nada à fotografia em destaque no interior do restaurante, tirada quando ainda havia areia para dar e vender no Furadouro.
