Na primeira metade do século XX, agricultores e pastores tinham no fogo um aliado. Consideravam-no um instrumento fundamental para fertilizar as terras e substituir o trabalho braçal na limpeza do mato, de modo a abrir terreno cultivável para produzir cereais e criar novas pastagens. Havia muitos fogos, mas praticamente nenhum incêndio.
Até que começou a ganhar espaço a ideia de que os camponeses não sabiam o que faziam e que o fogo era inimigo da floresta, a nova coqueluche entre a classe dominante. O fogo foi sendo proibido e os campos agrícolas deram lugar a pinhais e, depois, a eucaliptais. Os incêndios começaram, então, a surgir, cada vez maiores, cada vez mais frequentes, cada vez mais imparáveis. E assim chegámos à triste posição que ocupamos hoje: o país que mais arde (de longe) na Europa.

