Todos os anos, no Natal, há quase um sentido de obrigação de dar brinquedos às crianças. Isso leva a que as casas se encham de ainda mais de peluches, bonecas, carros, peças de construção, entre muitos outros artigos para o divertimento dos mais novos. Mas uma equipa de investigação da Universidade de Toledo, no Ohio, EUA, liderada pela professora de terapia ocupacional Alexia Metz, concluiu que ter menos brinquedos proporciona um ambiente mais saudável para toda a família.
É verdade que brincar é crucial para uma criança, já que ajuda a desenvolver a criatividade, o pensamento crítico, a capacidade de resolução de problemas e o sentido de cooperação. Contudo, a quantidade de brinquedos pode ser prejudicial, uma vez que está provado que ter menos faz com que exista maior foco e ligação.
“As crianças estão programadas para explorarem o ambiente em que estão e procurarem oportunidades”, explica Metz. “Num quarto cheio de brinquedos, elas querem pegar em todos – mas isso significa que não vão conseguir estabelecer ligação com cada um”.
Um estudo com dois cenários
Para analisar a relação das crianças com brinquedos, Metz e a sua equipa de investigadores reuniram um grupo de estudo, juntando crianças em dois cenários: no primeiro havia quatro brinquedos disponíveis e o no segundo 16. A análise permitiu comprovar que o cenário com menos brinquedos proporcionava uma interação mais profunda e interessada com cada brinquedo. No segundo cenário, as crianças passavam menos tempo com cada brinquedo e exploravam menos as suas potencialidades.
Heather Kuhaneck, professora da Universidade de Southern Connecticut State, aplaude o estudo de Metz e recorda que as crianças mais novas, quando recebem um presente, preferem brincar com o papel e a caixa do que com o brinquedo em si. “Já para as crianças mais velhas o melhor é levá-las a brincar na rua. Elas vão inventar os seus próprios jogos com o que encontrarem na natureza”, explica.
Diminuir o número de brinquedos
Apesar do benefício que é ter menos brinquedos, tanto Metz como Kuhaneck concordam que pode não ser fácil diminuir o seu número em casa. Contudo, as especialistas deixam algumas recomendações para que essa seleção seja feita.
Em primeiro lugar, aconselham uma rotação nos brinquedos disponíveis. Coloque à disposição uns e retire outros. Isso vai fazer com que cada brinquedo volte a parecer novo e, assim, oferecer novas possibilidades de exploração.
Em seguida, aconselham a aposta em brinquedos que ofereçam mais hipóteses de exploração, oportunidades de brincadeiras diferentes e que abranjam uma maior faixa etária. Kuhaneck diz que os blocos de construção são um bom exemplo desta ideia.
Por fim, as especialistas dizem que, mais relevante do que dar brinquedos, é proporcionar períodos de qualidade ao ar livre. “Os brinquedos não são o mais importante. Se não tiverem brinquedos, as crianças vão conseguir brincar com qualquer coisa que encontrem na rua”.