Bruno Paes Manso: “Presença do PCC em Portugal não surpreende”

Bruno Paes Manso: “Presença do PCC em Portugal não surpreende”

O PCC é hoje considerado a principal organização criminosa da América Latina, que controla o tráfico internacional de drogas para os Estados Unidos e a Europa. Como alcançou esta dimensão?
O PCC foi fundado em 1993, mas só dá esse “salto” no início dos anos 2000, quando as lideranças começam a perceber que, para financiar a estrutura da organização, era preciso entrar no negócio do tráfico internacional de drogas. A partir de 2003, o PCC começa a tornar-se mais profissional, e foi nessa altura que impôs um código de conduta e regras, chegando mesmo a proibir os assassinatos em São Paulo (o que até tornou o estado o menos violento do Brasil em número de homicídios). Na prática, tornou-se um governo que gere o crime no país.

Decidiu, então, dedicar-se ao tráfico de drogas por ser uma atividade mais lucrativa…
Exatamente. O Brasil tornou-se um importante corredor para transportar drogas, principalmente a cocaína oriunda da Colômbia, do Peru e da Bolívia, até aos principais mercados consumidores: os Estados Unidos e a Europa. E é o PCC que assume as tarefas de logística e transporte dessas grandes quantidades de cocaína para esses destinos.

Falou em “código de conduta” e “regras”. Os grupos rivais respeitam essas regras?
Respeitam, sim. O PCC não é um cartel do estilo colombiano ou mexicano, com uma estrutura vertical, com um grande chefe que concentra todo o capital. Funciona mais de forma horizontal, como uma agência reguladora que, a partir das prisões, estabelece o código de conduta e as regras do mundo do crime. O PCC tem apenas 40 mil elementos, o que nem é muito, mas toda a gente respeita essas regras (membro do PCC ou não).

O grupo também é conhecido por ser muito violento e cruel…
A violência é também a grande “arma” do PCC, contra todos os que são considerados obstáculos. O grupo é responsável por muitas mortes no Brasil e na América Latina, existindo o registo de atentados contra membros de grupos rivais, mas também contra políticos, polícias ou magistrados…

Os principais líderes do PCC – como “Marcola” – foram presos, ainda no século XX, mas mesmo assim o grupo não parou de crescer…
Isso acontece porque o grupo tem uma estrutura muito profissional, que não está dependente de nomes. Se o “Marcola” ou outro líder forem presos, outras pessoas vão assumir o lugar. O PCC é uma coisa séria, com estruturas espalhadas por todo o país, representantes nos países estrangeiros, elementos dentro e fora das prisões…

As novas provas de que existem membros do PCC a viver em Portugal surpreendem-no?
É uma novidade, mas não me surpreende. O mercado europeu é muito lucrativo, movimenta muitos milhões de dólares, e existem milhares de brasileiros que querem viver em Portugal, em busca de oportunidades de emprego. O mercado do tráfico de drogas acaba por oferecer essa oportunidade.

Acredita que possa haver cidadãos portugueses “batizados” no PCC?
O PCC tem contactos com pessoas que não têm necessariamente de ser “batizadas”, ou seja, de ser membros do PCC, mas que apenas fazem parte de uma grande networking, que permite estabelecer contactos noutros países. Existe, por exemplo, uma relação comercial com a ‘Ndrangheta [a máfia calabresa], mas quem faz essa “ponte” não tem de ser, necessariamente, membro do PCC.

A presença do PCC pode contribuir para o aumento da violência em Portugal?
Não acredito. O grande risco – e isso já aconteceu no Paraguai – é o PCC tentar dominar as prisões portuguesas, para controlar o crime no País a partir desses locais. O PCC tenta sempre partilhar ideias e oportunidades nesse contexto.

Mesmo com investimento na investigação, com a detenção de líderes, o PCC não treme. Como é que isso se explica?
O tráfico internacional de drogas é uma atividade milionária. O esquema está bem montado e enquanto o dinheiro continuar a circular vai sempre haver pessoas dispostas a arriscar a vida para entrar no mundo do crime. Essas pessoas acabam, quase sempre, por ser presas ou assassinadas, mas ainda há quem ache que o risco vale a pena… Posso garantir, aliás, que não faltam pessoas a querer entrar no PCC…

É uma guerra perdida à partida?
Não está perdida, mas é difícil de vencer. No Brasil, devia-se apostar mais na investigação financeira, pois, neste momento, não se sabe muito bem qual o destino do dinheiro do PCC. Seria importante seguir mais o rasto do dinheiro, perceber onde está a ser investido, quem está a investi-lo, quem beneficia com isso… Seria, na minha opinião, a melhor forma de identificar e travar os principais chefes do grupo.

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