Até ao último dia de vida, Alfredo da Silva andou sempre a matutar em novos negócios. Incansável, o homem que, ao longo de mais de meio, século construiu em Portugal o primeiro grande conglomerado industrial, desenvolveu nas duas margens do Tejo negócios tão diversos como sabões, velas, adubos e outros químicos, têxteis, construção naval e transportes marítimos, tabacos, banca e seguros. Perto dos 70 anos, acalentou um sonho novo, o de produzir aço. A morte viria a surpreendê-lo pouco depois, subtraindo-lhe o tempo necessário para instalar um forno elétrico no complexo da CUF no Barreiro. O País teria de esperar mais de 20 anos pela criação da Siderurgia Nacional (SN), de António Champalimaud, no Seixal.
Num registo áudio até agora desconhecido (ver caixa sobre as Comemorações), Alfredo da Silva fala com entusiasmo do novo projeto, prometendo que, “em breve, a produção de aço será uma realidade em Portugal”. Os planos para a produção de 20 mil toneladas anuais de aço no Barreiro foram anunciados pelo empresário durante o lançamento à água do navio África Ocidental, provavelmente no ano de 1939. Na presença do Presidente Óscar Carmona, e de meia dúzia de ministros do governo de Salazar – este declinou sempre os convites para assistir ao batismo dos navios da Sociedade Geral, preferindo fazer-se representar –, o patrão da CUF comprometeu-se a fazer “tudo o que é necessário” para dotar Portugal de uma indústria “de aço de alta qualidade”. Porque, como afirmou, “um País não pode desenvolver-se sem aço”.
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