A moda dos desafios nas redes sociais que envolvem danças – ou certos movimentos – começou há uns tempos e veio para ficar. Quem não se lembra do célebre Harlem Shake, que se tornou viral depois da publicação, em fevereiro de 2013, de um vídeo de 35 segundos em que um grupo de quatro pessoas mascaradas dançavam ao som da música de Dj Baauer?
O vídeo foi visto por milhões de pessoas, que começaram a reproduzi-lo de diferentes formas. A ideia era haver uma pessoa a dançar no meio de um grupo, supostamente, desatento – podia ser no local de trabalho, num bar ou até num campo militar. Assim que a batida da música mudasse, toda a gente começava a dançar de forma aleatória. Nestes vídeos, publicados, na altura, por milhares de pessoas, usavam-se máscaras e outros adereços, que tornaram o conceito divertido e apetecível.
Ao longo do tempo, esta moda adquiriu outros propósitos: no Egipto, por exemplo, começou a ser vista como uma forma de protesto político, depois de ser proibida neste país: quatro estudantes foram presos por fazerem a dança considerada pelas autoridades um “ato escandaloso”. Também na Tunísia vários estudantes relalizaram um Harlem Shake à frente do Ministério da Educação, depois de o ministro o considerar um “insulto à mensagem educacional”.
Gangnam style
A música foi lançada em julho de 2012 na Coreia do Sul e o seu videoclipe é, neste momento, o quarto vídeo mais visto do mundo no Youtube, com mais de 3 mil milhões de visualizações. A dança, protagonizada pelo próprio artista da música, Psy, tornou-se rapidamente viral e foi motivo para haver milhares de publicações nas redes sociais com os famosos movimentos.
Por detrás do fenónemo que invadiu a cultura popular, o artista, que o fez chegar também a várias celebridades, quis fazer uma crítica ao consumismo exagerado que se pratica num subúrbio da Coreia do Sul, chamado Gangnam, próximo de Seul. Nesta zona, vive-se de forma exuberante e luxuosa, e quer afirmar-se um estatuto social que Psy satiriza no videoclipe. Por causa disso é que o artista escolheu locais como um spa para o gravar.
#Watchmedanceon Challenge
Com apenas 17 anos, o rapper americano Silentó viu a sua música Watch Me (Whip / Nae Nae) chegar ao top três da tabela musical mais conhecida da América, a Billboard Hot 100.
Os movimentos de dança mostrados no videoclipe, lançado em junho de 2015 e protagonizado pelo próprio rapper, ecoaram por todo o mundo, com grupos em escolas – e não só – a fazerem imitações que encheram as redes sociais.
O seu sucesso resultou de uma campanha mundial criada pela empresa de media DanceOn, que conseguiu fazer com que se publicassem no Youtube 50 vídeos com a dança que, de forma muito rápida, tiveram milhões de visualizações (mais de 250 milhões em menos de três meses). A campanha #WatchMeDanceOn foi lançada em abril de 2015 e, no final de maio, as vendas da música já tinham duplicado: de 17 mil unidades semanais, passaram a ser vendidas 42 mil.
#RunningManChallenge
Este desafio começou em 2016, quando dois jogadores americanos de basquetebol da Universidade de Maryland, EUA, gravaram e publicaram no instagram um vídeo a dançar a música My Boo, dos Ghost Town DJ’s, popular nos anos 90. A dança viralizou durante todo o Campeonato de Basquetebol Masculino da NCAA nesse ano, mas rapidamente ultrapassou o mundo do basquetebol, com milhares de partilhas nas redes sociais com a hashtag #RunningManChallenge.
O vídeo foi publicado no dia 31 de março e, no dia 20 de abril, já havia quase 3 mil publicações no instagram com a hashtag.
Mas foi nos anos 80 que a dança do running man ficou conhecida: no videoclipe da sua música Rhythm Nation, a cantora Janet Jackson faz os movimentos que mais de 30 anos depois voltaram a estar na berra.
#TZAnthemchallenge
No final de 2016, o videoclipe da música Juju On That Beat – dos rappers americanos Zay Hilfigerrr e Zayion McCall – tornou-se popular devido à sua dança. Não tardaram a chegar várias reproduções dos movimentos: no mesmo dia do lançamento do videoclipe, por exemplo, os dançarinos Matt Steffanina e Kenneth San Jose publicaram um vídeo no youtube com a dança (que tem mais de 47 milhões de visualizações).
Mas antes disso, em agosto de 2016, tinha já sido publicado no instagram do grupo de dança do qual Zay Hilfigerrr faz parte, os Fresh the Clowns, um vídeo com os movimentos que, meses mais tarde, tornavam-se uma tendência – a publicação atingiu rapidamente milhares de visualizações.
#InMyFeelingsChallenge
Neste desafio, tudo o que precisa de fazer é sair de um carro e dançar a música “In My Feelings” do artista Drake. Depois, a pessoa que fica dentro do carro tem de o filmar…com o automóvel em andamento. Claro que autoridades de vários países do mundo já se manifestaram relativamente a esta moda, por afirmarem que os condutores dos carros se distraem e que isso pode provocar acidentes graves.
No Twitter, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA publicou: ” #DistractedDriving é perigoso e pode ser mortal. Nenhum desafio de dança vale uma vida humana”.
Mas a verdade é que todos os dias têm sido publicados centenas de vídeos com os passos, que ganhou fama depois de o comediante americano Shiggy ter partilhado no seu instagram um vídeo seu a dançar a música – e que, agora, tem mais de 6 milhões de visualizações. Só depois deste vídeo é que começaram a surgir versões de pessoas a saltarem dos carros, sendo que esta parte não está ligada ao vídeo de Shiggy.
Neste momento, a hashtag #InMyFeelingsChallenge já tem mais de 415 mil publicações associadas só no instagram.
Do Fortnite nascem lendas
Em 2017, no videoclipe da música Shoot do rapper americano Blocboy JB, foi popularizado um movimento de dança que se tornou viral, conhecido por shoot e que tem origem no popular jogo virtual Fortnite.
Já durante este ano, no Mundial de futebol, o jogador da seleção inglesa Jesse Lingard festejou um golo marcado contra o Panamá (que perdeu 6-1 com a Inglaterra, nesse jogo) com este movimento, que ganhou ainda mais sucesso e foi reproduzido, ainda no campeonato de futebol, por outros jogadores.
Também o floss dance, ou “dança do fio dental” em português, nasceu do famoso jogo que, na versão de 2018, é usado como símbolo de vitória. Há quem diga que é um movimento simples, mas a verdade é que muitas pessoas não o conseguem fazer. Este passo foi popularizado nas redes depois de Russel Horning, de 16 anos, o ter dançado ao lado de Katy Perry num programa de televisão norte-americano. Ainda antes disso a cantora Rihanna já tinha partilhado um dos seus vídeos a dançar. A hashtag #floss tem, neste momento, quase 250 mil publicações associadas.