ACOMPANHE A CARAVANA
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Dois pais de família vão de carros buscar refugiados
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A bordo da caravana
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A passagem por Espanha
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Retratos da caravana: Pedro Lapa
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“Temos um plano!”
No carro de Pedro Lapa e Vera Valério Batista não é preciso ligar o sistema de som para ouvir música tradicional portuguesa, Chico Buarque, Zeca Afonso, rock ou um bom pop britânico que faça parte da playlist de Vera. A enfermeira e psicóloga clínica pertenceu ao grupo Nozes e Vozes, e a dela sai afinada, ouvimos sempre que paramos numa área de serviço para desentorpecer as pernas e abastecer de café. Não há males para espantar, só alguma tensão e emoção. “Canto para puxar a malta”, dirá.
Vera e Pedro não se conheciam antes desta viagem. Encontraram-se pela primeira vez na estação de Aveiro, o ponto de encontro escolhido para trocarem o primeiro abraço e encaixarem as mochilas entre tudo aquilo que os amigos lhes pediram para levarem para os refugiados. “Foi um bom matching, está a correr bem”, ri-se ela.
O matching foi feito através de uma amiga comum, só demorou uns minutos no Facebook. Pedro precisava de um co-piloto, Vera não tinha carro e moram ambos em Aveiro. ‘Bora lá, então!
“Eu tinha de vir, como pessoa”, diz Vera. “Identifico-me textualmente com a iniciativa destes dois amigos [Nuno Félix e Pedro Policarpo, os mentores da caravana] e não havia outro sítio onde pudesse estar agora. Tenho consciência dos riscos, há alturas em que tenho medo, mas não é um medo que me paralize. Em momento nenhum questiono ficar parada ou voltar para trás. A não ser que algum de nós esteja em perigo de vida.”
Podemos escrever que Vera é socialmente ativa. Colabora com a Gulliver, uma associação que promove eventos culturais e atividades para todos, incluindo pessoas em cadeiras de rodas. E devemos acrescentar que não esté nesta vida para ver deixar correr o marfim. A caminho da Croácia não pensa apenas na missão de trazer refugiados para Portugal.
“Espero que as pessoas, em Portugal e no resto do mundo, despertem de uma maneira informada para o que está a acontecer. Compreendo que haja pessoas que não entendem a nossa atitude, mas não aceito que não tentem informar-se e embarquem no discurso, baseado no medo, de que os refugiados são perigosos. Ou que temos muita gente para ajudar no nosso país.”
Vera trabalha numa Unidade de Saúde Familiar, em Ílhavo, e num consultório privado. Não tem condições para receber refugiados na sua própria casa, mas já faz parte de um banco de horas que foi criado para ajudar quem for acolhido em Aveiro. Competências não lhe faltam.