Foi uma explosão de alegria, mas também de muita descompressão no Hotel Altis, assim que os primeiros números sobre estas legislativas apareceram nos diversos canais de televisão. E muitos gritos de alívio perante aquilo que as recentes sondagens davam ao PS.
A eurodeputada Margarida Marques e a deputada Isabel Moreira foram das mais emotivas – principalmente a segunda, que admitiu não estar à espera de “dados tão substanciais”, enquanto que a primeira admitiu “o desafio” para quem vai gerir o País. Mas sobre o desenho de uma futura solução governativa, caso os socialistas venham a precisar de apoio dos partidos mais pequenos, ninguém se atreve a apontar nomes; à exceção de Manuel Alegre, que não quer ver o PAN na equação.
À VISÃO, Margarida Marques salientou que a “campanha trouxe muitas coisas novas que podiam ter mudado estes dados; designadamente, novos partidos, novos programas”. “Houve uma grande complexidade e uma grande dificuldade para os cidadãos escolherem. Mas perceberam que a confiança estava no PS”, disse, admitindo que “há agora um desafio sobre a governação daqui para a frente“.
“Nunca tive dúvidas sobre uma vitória, mas havia de facto uma pressão muito grande. Penso que os portugueses conseguiram perceber onde estava a razoabilidade”, defendeu.

Já Isabel Moreira, muito “emocionada”, reconheceu “não estava à espera” de tais números. “Emociono-me porque estas foram umas eleições que não queríamos, fizemos de tudo para que não acontecessem. Depois, foram umas eleições em que se tentou ao máximo explorar a ideia de um cansaço de António Costa, de desgaste do governo – que foram argumentos muito injustos”, apontou à VISÃO.
“Acho que aquilo que António Costa demonstrou foi uma enorme tenacidade e força ao lutar contra uma pandemia, que abalou o mundo, e também Portugal. E que bom foi ter uma pessoa de esquerda e com sensibilidade social a lutar contra esta pandemia e a negociar um PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. Seria de facto uma injustiça enorme interromper neste momento um projeto, de futuro e liberdade das pessoas. Ainda bem que, aquilo que senti ao longo da campanha, correspondeu à verdade: o povo esteve conosco”. argumentou, admitindo ser “ainda cedo para fazer qualquer cenário”.

Às projeções à boca das urnas seguiu-se uma reação de Duarte Cordeiro, diretor de campanha do PS, que disse tratarem-se de “um sinal de enorme confiança e otimismo”. “Fomos ouvindo os portugueses durante a campanha e achámos que isso vai se refletir nos resultados desta noite. Será uma vitória da humildade, da confiança e pela estabilidade , se estas projeções se confirmarem”, apontou.
Enquanto António Costa se mantém no 13º. piso do Hotel Altis, com o seu núcleo duro, o histórico socialista Manuel Alegre, que entretanto chegou ao local, deixou claro “que não será” do seu “agrado” se o PS precisar do PAN para governar. Mas também deixou um aviso ao BE e ao PCP, a quem criticou o “sectarismo”, na última quinta-feira, num comício no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. “Não há soluções de esquerda sem o PS ou contra o PS”, disse.