Desde a última terça-feira, Portugal tem um novo governo, mas houve quem, no Executivo de Luís Montenegro, não esperasse pelo final da tarde do dia 2 de abril, quando todo o elenco tomou posse no Palácio da Ajuda, em Lisboa, para se agarrar ao trabalho da pasta que lhe calhou. No dia anterior à cerimónia, e até mesmo poucas horas antes, foram vários os agora governantes que se deslocaram aos gabinetes dos seus antecessores para se inteirarem não só dos dossiers mais quentes como também daquilo que os secretários de Estado (que chegam nesta sexta-feira) precisam de conhecer. O gesto aconteceu na sequência de um extenso caderno de encargos que o primeiro-ministro fez chegar a cada um dos seus governantes. Enquanto os portugueses celebravam a Páscoa, os 17 ministros do Governo da Aliança Democrática dedicaram-se, no fim de semana alargado, a tentar corresponder aos trabalhos de casa que Montenegro lhes deu e que estavam acompanhados de diversos alertas e recomendações, a começar pela necessária atuação discreta, uma cartilha de que o próprio tem sido um exemplo.
Estavam as câmaras dos diversos canais de televisão tão focadas, em diretos a partir da Ajuda, nos preparativos da tomada de posse da equipa governativa, nesta terça-feira, que a nova ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, pôde entrar e sair das instalações daquela tutela, no Terreiro do Paço, sem que fosse notada sequer a sua presença – com exceção de alguns polícias ali presentes, que a reconheceram dos tempos em que liderou com pulso a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI). Como aposta de Montenegro para apaziguar um dos setores mais importantes do Estado, que teve a maior parte dos seus profissionais nas ruas, em protesto, até há um mês, a juíza jubilada do Supremo Tribunal de Justiça saiu de uma longa reunião com o seu antecessor, o socialista José Luís Carneiro, pouco tempo antes de rumar à sua tomada de posse.
