COSTA GOMES – Um homem extremamente sagaz, hábil, com grande capacidade para contornar dificuldades, com uma preparação política e militar notáveis. Teve um papel importantíssimo, embora eu tenha observado nele atitudes e posições que me chocaram muito.
SPÍNOLA – Grandes qualidades como chefe militar, mas a enorme ambição política de chegar a Presidente da República, a que sacrificou tudo. Como militar, rodeou-se de um excepcional grupo de oficiais e também de uma grande máquina de propaganda. Não teve capacidade para acompanhar a grande movimentação posterior ao 25 de Abril, o que levou à queda.
VASCO GONÇALVES – Gosto muito dele como pessoa e, por isso, o propus para o cargo de primeiro-ministro. É um homem muito bom, pelo qual tenho um grande respeito, mas que foi instrumentalizado pelo Partido Comunista.
MELO ANTUNES – Era a cabeça política do MFA. Do ponto de vista militar, tentava cumprir, mas não tinha vocação. Como não tinha carisma. Acho que ele me admirava porque sabia que nunca seria capaz de organizar a acção militar que eu organizei; e eu admirava-o exactamente pelo contrário.
VASCO LOURENÇO – Uma enorme tenacidade, um lutador extraordinário, que faz da perseverança nas suas posições, e na forma como luta por elas, uma arma poderosa. Um homem de grandes convicções e méritos, que quando tem um projecto é, para o realizar, como um buldogue agarrado a uma tíbia.
VÍTOR ALVES – É o militar-diplomata por excelência, uma espécie de Almeida Santos das Forças Armadas. Tem um grande sentido das realidades e uma grande finura intelectual, procurando permanentemente consensos, e sabendo manobrar as pessoas para os alcançar, sem prejuízo de se bater pelas suas convicções.
SALGUEIRO MAIA – Um excelente militar e camarada, que cumpriu muitíssimo bem a sua missão no 25 de Abril, portando-se com enorme dignidade e eficácia perante Marcello Caetano. E um homem vertical, sem um grande conhecimento político, mas profundamente de esquerda, lutando pela melhoria das condições de vida dos portugueses mais necessitados.
RAMALHO EANES – Também excelente militar e homem de grande carácter e dignidade. Tivemos conflitos, mas sempre mereceu a minha grande admiração e nunca deixámos de ser muito amigos. Quando estávamos a projectar o 25 de Abril, eu propus logo o seu nome para ministro da Defesa ou chefe de Estado-Maior do Exército.
MÁRIO SOARES – Um animal político (sem sentido pejorativo), com grande habilidade para resolver os problemas,à semelhança de Costa Gomes.A sua coragem e autoconfiança levam a que nunca vire as costas a perigos ou oposições, procurando sempre vencer os desafios.
E a frequência com que,conforme está no Poder ou fora dele, muda de posições é também o resultado de fazer o que em cada momento lhe parece mais conveniente.
ÁLVARO CUNHAL – No primeiro encontro que tive com ele, pareceu-me logo alguém com grande convicção nas suas posições, para as quais, assim como para o seu partido, procurava aliciar as pessoas influentes, que considerava serem uma mais-valia. Granjeou um enorme prestígio e arredou do caminho os que se lhe opunham, até se tornar o líder indiscutível do PCP.
SÁ CARNEIRO – Também ganhou grande prestigio, no seu caso liderando a ala liberal na Assembleia Nacional, suscitando uma sincera admiração da minha geração pela frontalidade e coragem com que o fez.
Demonstrou capacidade de liderança no Governo do País e no combate político com Soares, destacando-se como homem de Estado.
FREITAS DO AMARAL – Apesar da imagem que lhe estava associada, admirei-o pelo que fui sabendo da sua actuação, em especial no Conselho de Estado, logo após o 25 de Abril. Aí mostrou a sua grande capacidade de abertura, isenção e espírito democrático, aceitando as posições e decisões da maioria, e até colaborando com ela, mesmo quando não estava de acordo.