Passaram 16 dias desde que André Silva foi empurrado para uma realidade a que grande parte dos portugueses ainda está a habituar-se, a do teletrabalho. Desde segunda-feira, 16, o porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) está em casa, nos Olivais, em Lisboa, e só sai, “em total isolamento”, como conta à VISÃO, para fazer compras cirúrgicas, para passear os dois cães e para cumprir os serviços mínimos a que a Assembleia da República, que continua a funcionar, ainda o obriga.
O chamado confinamento profilático está a ser enfrentado pelo líder do PAN com absoluta disciplina. Tanto no que toca ao acolhimento das instruções das autoridades públicas como na parte do trabalho político. Todos os dias o deputado começa a trabalhar entre as 8h30 e as 9h00. Lê as notícias, põe-se a par das atualizações que se passa em Portugal e no mundo, responde a e-mails e recolhe informação indispensável junto dos restantes dirigentes de topo do partido (a Comissão Política Permanente), dos membros do grupo parlamentar e dos assessores. “Fazemos reuniões com frequência, geralmente no [Google] Hangouts ou no Facebook. Também já usámos o Zoom”, revela.
A desregulação do trabalho é evidente. Tal como para milhares de cidadãos de diversos setores de atividade, os horários de expediente deixaram de existir. A dificuldade é parar. Desligar. Pôr o cérebro no off. “Tenho conseguido conciliar [o dever e o lazer], mas tenho de fazer um esforço grande para não estar 24 horas sobre 24 horas em cima dos meios de comunicação virtuais”, explica André Silva.

Na quinta-feira, 26, quando conversou com a VISÃO por telefone, o líder do PAN frisava que até em quarentena tem mantido uma articulação permanente com o Executivo socialista. Fá-lo, sobretudo, através do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro. “Somos institucionais, e vamos ter um período de maior intensidade nas conversações para debatermos propostas do Governo e do PAN que visam dar resposta a uma série de situações”, adianta.
Ao longo de cada dia, André Silva faz uma espécie de Grand Slam das divisões da casa. “Vou variando… Trabalho na sala, no escritório, na cozinha, depende… Tem a ver com a hora, com a luz, com a temperatura, com tudo. No fundo, é para fazer frente à monotonia a que estamos obrigados. Não lido muito bem com a monotonia”, graceja.
É, no entanto, a partir do final da tarde, quando o trabalho permite, que André Silva tenta abstrair-se do cenário distópico em que o País e o mundo estão mergulhados. “É nessa altura que tento fazer uma coisa que me descontrai, que é cozinhar. Tenho conseguido fazer as coisas de forma mais lenta, mais focada no ato em si”, afirma o dirigente do PAN. Apesar de não ter “inventado” qualquer prato para a sua dieta vegetariana, o deputado sublinha que tem caprichado nos temperos e na confeção: “Vou inovando com o que tenho em casa…”

De dentro das quatro paredes só tem saído, contudo, para compras de bens essenciais e nunca com intervalos inferiores a três dias. Mais regulares, como a biologia impõe, só mesmo os passeios com os cães, especialmente com o maior dos rafeiros, que batizou como Nilo. O outro, Rocky, é mais pequeno e precisa menos da voltinha diária ao quarteirão, mas também a faz, sempre com cuidados extremos.
É à noite, quando não está reunido com responsáveis do partido ou a estudar matérias incontornáveis em tempos de pandemia, que André Silva aproveita para desfrutar mais da companhia da namorada. Tem seguido com especial atenção a minissérie Catarina, a Grande, emitida pela HBO, com Helen Mirren no papel da imperatriz russa Catarina II. Quanto a leituras, André Silva está a aproveitar para revisitar clássicos. Está a reler A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz, obra que diz ter adorado quando “há mais de 20 anos” a leu pela primeira vez.