Chama-se República Islâmica, mas quem governa, cada vez menos na sombra, são os Guardas da Revolução. Criados para defender o regime religioso, chegou agora o momento de cumprirem como nunca esse papel. O regime vai sobreviver – ou não – por causa deles. Até que eles se tornem o regime. Nesse caso, é possível que o novo Irão seja uma espécie de Paquistão, onde os militares dominam o Estado. Mas pode ser pior e emergir uma Coreia do Norte do Médio Oriente.
Se dúvidas houvesse sobre o ascendente dos Guardas, “a verdade é que se tornaram tão dominantes que Mojtaba Khamenei lhes deve a sua ascensão à liderança”, diz à VISÃO o cientista político Ali Alfoneh, referindo-se ao filho do aiatola Ali Khamenei, que foi morto a 28 de fevereiro debaixo das bombas que os Estados Unidos da América e Israel tinham começado a largar no país horas antes. Os bombardeamentos do primeiro dia de guerra mataram-lhe os pais, a mulher e a irmã, e responsáveis do próprio regime confirmam que deixaram Mojtaba ferido.
