Chegou quase por acaso, escolhido para suceder ao fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, sem o seu carisma, popularidade ou credenciais religiosas. Para cimentar o poder e legitimidade – e para garantir a sobrevivência do regime –, Ali Khamenei, o segundo Guia Supremo desde a Revolução Islâmica de 1979, insistiu nos slogans “Morte à América” e “Morte a Israel”, consolidando o estatuto de líder de uma potência regional às custas do desenvolvimento do Irão e do bem-estar dos iranianos. No fim, foram estes que o empurraram para o fim, antes de a América e Israel largarem as bombas que o mataram.
“Ontem [sábado] foi uma loucura. Comecei a fazer videochamadas para os meus amigos, a gritar, a pular. E a reação de todos foi: não queríamos acreditar, porque era bom demais”, descreveu Zhino Beigzadeh Babamiri, iraniana de 25 anos a viver em Oslo, cujo pai está preso há três anos, acusado de “insurreição armada” e “espionagem” por ter ajudado manifestantes atacados pelo regime na revolta desencadeada pela morte de Mahsa Amini, em 2022.

