Pablo Iglésias, professor e colunista, é sobretudo conhecido como secretário-geral do Podemos, o partido de extrema-esquerda que, em 2014, conquistou mais de um milhão de votos nas eleições europeias em Espanha.
O homem
Tem 37 anos, é filho de uma advogada e de um inspetor do trabalho, e neto de Manuel Iglesias Ramírez, que chegou a ser condenado à morte pelo franquismo, sentença que só foi transformada em pena de prisão porque testemunhos permitiram desmontar algumas acusações. Licenciou-se em Direito e doutorou-se em Ciência Política na Universidade Complutense de Madrid, onde também é professor. Aos 14 anos já estava ligado à União das Juventudes Comunistas de Espanha – e por lá ficou até 2001, altura em que começou a participar em movimentos antiglobalização. Em janeiro de 2014 apresentou o movimento de cidadãos Podemos.
O mediatismo
O líder do Podemos assumiu numa entrevista, em 2014, que “é mais importante o que se discute na televisão do que o que se debate no Parlamento”. Iglesias construiu uma carreira política, mas não descurou a faceta mediática. Começou como comentador e entrevistador, em canais de baixa audiência, até que, a 25 de abril de 2013, uma simples aparição no programa El gato al agua, do canal Intereconomía, o transformou num dos mais requisitados políticos nos programas de debate das televisões espanholas. Foi o dia em que, escreveu o El Mundo, “começou a mudar a política espanhola sem que ninguém desse conta”.
O eurodeputado
Apenas três meses depois da formação do Podemos, o partido transformou-se no fenómeno eleitoral das eleições europeias em Espanha, em 2014: conseguiu 7,96% dos votos e cinco lugares no Parlamento Europeu. Em outubro, Iglesias disse adeus ao cargo de eurodeputado para se dedicar à corrida a presidente do governo.
As ideias políticas
O Podemos nasceu da vontade de aproveitar os protestos dos indignados – que saíram à rua contra a austeridade e o desemprego – para conseguir uma mudança real na política. Em Lisboa, numa conferência internacional organizada pelo Bloco de Esquerda, Iglesias defendeu existir “uma elite sem vergonha” e ser necessário criar “empatia com o povo”, romper com o tabuleiro político e não transformar a esquerda numa religião.
As sondagens
A Espanha está a uns dias de uma nova tentativa de formar governo, com as eleições agendadas para 26 de junho. O Podemos vinha consecutivamente a cair nas sondagens, até que resolveu juntar-se à Esquerda Unida, dando a volta por cima: uma sondagem dos últimos dias, da Metroscopia para o El País, dita que a união entre Pablo Iglesias e Alberto Garzón bate os socialistas do PSOE, obtendo 23 a 25% dos votos, e ficando a seis pontos do PP de Mariano Rajoy, que deverá vencer as eleições. Quem sai mais fragilizado é mesmo o líder socialista Pedro Sánchez, que falhou as tentativas de formar governo com outros partidos, depois de Rajoy ter perdido a maioria qualificada nas eleições de 20 de dezembro de 2015.