Depois do sucesso de 2015, o quarto maior evento desportivo do mundo regressa à Doca de Pedrouços, em Lisboa, desta vez por um período de tempo muito maior e para servir também de estaleiro e centro de treinos dos barcos que irão entrar em competição na prova de 2017. Portugal reforça desta forma a sua presença na rota da corrida de barcos à vela, atraindo as melhores equipas e, em simultâneo, dando a ganhar à indústria nacional que se posiciona para fornecer componentes para as equipas que estão a preparar os barcos para o próximo ano. José Pedro Amaral, ceo da empresa responsável pelo stopover (paragem dos barcos durante a prova) em Lisboa, revela o que podemos esperar ao longo do próximo ano.
Quais os trunfos de Lisboa para conquistar a base da Volvo Ocean Race?
Na última edição, a cidade conquistou o segundo lugar em termos de mais convidados e visitantes corporativos recebidos durante a prova, com quase 300 mil em apenas 14 dias. Seremos sempre um país periférico mas temos uma centralidade inegável à escala global e, esta prova, por exemplo, conseguiu ter esse efeito de evidenciar a nossa centralidade marítima.
Que impacto pode ter esta base na economia nacional?
Se em 2015, a paragem dos barcos em competição gerou um impacto direto e indireto próximo de 27 milhões de euros, acreditamos que este valor deverá, no mínimo, triplicar a partir deste ano.
A organização pretende trabalhar com empresas nacionais?
Sim. O gestor da prova tem estado cá e já esteve na Ordem dos Engenheiros, por exemplo, para apresentar o projeto. Existem componentes como a fibra para os barcos e as velas que podem ser adquiridos em Portugal e existem alguns contratos em negociação como o fornecimento de peças metalúrgicas com o Arsenal do Alfeite.
Quais as contrapartidas dadas à organização para vir para Lisboa?
Temos de investir no fee da prova, que no ano passado rondou os 25 milhões de euros, e o Porto de Lisboa disponibilizou a utilização da Doca de Pedrouços. Vamos ter muitos patrocinadores a investir cá, pelo que esperamos recuperar este investimento.
Quando chegam os primeiros barcos?
A partir de junho, Lisboa transforma-se de corpo e alma no coração da Volvo Ocean Race. Já cá está um barco e, contamos ter mais três em junho. A partir de setembro já cá devem estar todos para começarem a ser preparados para a próxima edição. Vamos ter 30 pessoas e respetivas família por cada equipa, num total de oito equipas a residir em Lisboa até outubro de 2017.
Os portugueses vão conseguir acompanhar estes trabalhos e treinos?
Sim. Esta é a maior concretização do conceito da economia azul. É importante valorizar o nosso potencial e tentamos que Lisboa se posicione no mundo como a capital europeia da náutica, ou da Volvo Ocean Race ou da cidade com o rio mais bonito.
Em 2015 já proporcionamos o batismo de vela a 700 crianças e, estamos a pensar abrir uma vez por semana o estaleiro aos cidadãos. Na próxima prova estamos a preparar mais um conjunto de iniciativas.