A pandemia empurrou as pessoas para dentro das suas habitações que se tornaram subitamente em espaços multifuncionais onde se come, dorme, estuda e trabalha. Mas, e se fosse possível sair de casa para ir trabalhar (ou estudar) atravessando simplesmente o jardim? É precisamente isto que muitas famílias estão a fazer ao investir em casas modulares devidamente climatizadas, equipadas com internet e todo o conforto de um espaço de trabalho. A utilização destas pequenas casinhas de madeira de variados estilos arquitetónicos, das clássicas às mais arrojadas, como zonas de escritório em jardins privativos, tornaram-se uma tendência em nações como o Reino Unido e os Estados Unidos, por exemplo.
Os confinamentos prolongados, a necessidade de arranjar espaço-extra numa casa sobrelotada e a boa aceitação dos princípios da construção modular nestes mercados parecem explicar o sucesso deste tipo de produto que fez disparar as vendas em várias empresas do ramo. A facilidade quase instantânea em literalmente de um dia para o outro se adicionar espaço com privacidade e que favorece o foco e o relax é outro atributo referenciado por esta clientela crescente.
A oferta deste tipo de produto é vasta e pode incluir vários extras como uma pequena ‘kitchenette’ para assegurar os momentos de pausa para o café ou uma casa de banho que evite deslocações desnecessárias a casa que podem quebrar a concentração.
Segundo artigos em publicações como o “New York Times”, “Green Retreats” ou o “The Telegraph”, a existência destes espaços modulares integrados em jardins privativos – e que também podem tomar a forma de ginásio, spa caseiro, sala de cinema ou de jogos, por exemplo – tornou-se um tópico pertinente na lista de muitos compradores, podendo elevar o preço de um imóvel entre 5 a 15% do valor da casa.
Por cá, não se verifica o mesmo frenesim mas, diz Helder Santos, administrador da Jular, empresa especializada em construções modulares, os portugueses já estão atentos a estas opções habitacionais que permitem conquistar espaço.
Em abril de 2020, um mês após o início da pandemia, a empresa lançou um modelo específico para este segmento com duas áreas diferentes – o Treehouse Office com uma área de 12 metros quadrados (m2) e um outro com 17 m2 e valores a variar entre os 10.000 e os 13.000 euros, aproximadamente.
A Jular lançou no início da pandemia um produto para este efeito com valores a partir dos €10.000
Foto Jular

“ São estruturas monobloco, completamente amovíveis. Não necessitam de fundações, ligações a água ou esgoto. Estas soluções permitem trabalhar fora de casa, sem sair de casa”, resume o responsável da Jular, acrescentando que tem havido muito interesse por parte dos portugueses, com registo de “centenas de consultas” neste último ano.
A rapidez de montagem é uma das vantagens para quem opta por este tipo de solução bem como a agilidade do processo burocrático para a sua instalação. “A maioria dos municípios dispensa o licenciamento, já que considera estas obras como de ‘escassa relevância urbanística’, uma vez que reúnem três condições: são anexos de outras construções; têm área inferior a 25 ou 30 m2 (dependendo do município) e um pé direito interior inferior a 2,20 m”, explica ainda o CEO da Jular.
Espaços ajustados aos novos tempos de pandemia e que parecem ter vindo para ficar.