Jorge Coelho, antigo ministro Adjunto e da Administração Interna de António Guterres, morreu devido a um ataque cardíaco, esta quarta-feira. O histórico socialista tinha 66 anos.
Foi deputado na Assembleia da República entre 1987 e 1995. No XIII Governo Constitucional, liderado por António Guterres, foi ministro Adjunto e da Administração Interna, da Presidência e, depois, ministro do Estado e do Equipamento Social; cargo do qual se demitiu na sequência da queda da ponte que ligava Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, em que morreram 59 pessoas, em 2001. O momento ficou marcado pela frase de Coelho: “A culpa não pode morrer solteira”.
Nos últimos anos, era gestor de empresas, tendo chegado a ser CEO da Mota-Engil (2007 a 2013). E abriu um negócio de produção e comercialização de queijo da Serra na sua cidade, Mangualde, distrito de Viseu.
Jorge Coelho filiou-se no PS em 1982 e foi uma das principais figuras do partido, principalmente durante a liderança de Guterres, altura em que era o número dois dos socialistas, tendo contribuído para a vitória eleitoral nas legislativas de 1995. “Chocado”, o agora secretário-geral da Organização das Nações Unidas, já manifestou o seu pesar e recordou a “enorme capacidade” e o “político inteligentíssimo”. “Era a alegria de viver, era a personificação da vida. Nem sequer consigo aceitar”, disse António Guterres.
Poucos minutos depois, António Costa reagiu também de forma emocionada à morte do socialista, a partir da sede do PS no largo do Rato, em Lisboa: “Jorge Coelho não era só um camarada, era um amigo de todas as gerações do PS. Poucos foram aqueles que conseguiram exprimir tão bem a alma dos socialistas”.
Marcelo Rebelo de Sousa – depois de, em declarações à SIC Notícias, ter lembrado a sua capacidade de diálogo com os outros partidos, a sua “afabilidade” e “perspicácia analítica”, que, segundo o Presidente, demonstrou também no comentário político no programa “Quadratura do Círculo” – lamentou, numa nota de imprensa de Belém, que “com o dramático falecimento de Jorge Coelho desaparece uma das mais destacadas personalidades da vida pública portuguesa nas décadas de 70, 80 e 90, em que foi governante, parlamentar, Conselheiro de Estado, dirigente partidário, analista político e gestor empresarial.”
“Reunindo grande intuição, espírito combativo, perspicácia política, afabilidade pessoal e sentido de humor, por entre os escolhos inevitáveis dos apoios e das contraditas, deixou na memória dos Portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela Tragédia de Entre-os-Rios e a capacidade rara de antecipar o sentir do cidadão comum”, escreve o Presidente da República, que “recorda, com saudade, o amigo e apresenta à sua família as mais sinceras condolências”.
Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho nasceu a 17 de Julho de 1954 em Mangualde. Licenciou-se em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade Técnica de Lisboa e o primeiro trabalho que teve na administração pública foi no Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral, entre 1974 e 1983. Nos dois anos seguintes, tornou-se chefe de gabinete do secretário de Estado dos Transportes e depois ocupou os cargos de secretário-geral da Companhia Carris de Ferro de Lisboa e de secretário-adjunto do Governo de Macau.