1. Museu Keil Amaral, Viseu

O gosto de partilhar histórias da família Keil, em particular de cinco gerações intimamente ligadas à arte, está na origem deste novo museu na antiga Casa da Calçada, em Viseu. “Há 40 anos que o meu pai [Pitum Keil Amaral] anda à procura de um lugar para mostrar estes baús”, conta Leonor Keil, bailarina, coreógrafa e uma das 13 personagens desta narrativa (no museu “dá-se um cheirinho, uns apontamentos de cada uma”). Nesta árvore genealógica, cabem desde os percursos individuais aos coletivos, visíveis num conjunto de obras da coleção privada desta família de artistas. “É um museu que nos aproxima das coisas”, diz Leonor. No edifício, com 16 salas, veem-se pinturas de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional, maquetas do arquiteto Francisco Keil Amaral, além de pautas, peças de cerâmica e ourivesaria, azulejos e móveis. Calçada da Vigia, 3, Viseu > T. 232 427 427 > ter 14h-18h, qua-dom 10h-13h, 14h-18h
2. Reservatório, Porto

O nome invoca o passado do edifício, antigo reservatório de água, e a sua função como reserva viva, continuamente enriquecida por novos achados arqueológicos. “Mostram-se artefactos, vestígios e fragmentos encontrados em escavações na cidade, neste e no século passado”, explica Nuno Faria, diretor artístico do Museu da Cidade, de que o Reservatório é a primeira estação. A renovação arquitetónica foi assinada por Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, e o projeto museográfico por João Mendes Ribeiro. A organização do espaço e a disposição dos objetos exploram os labirintos da História. O primeiro eixo, horizontal e topográfico, divide a exposição por zonas-chave, “lugares relevantes para perceber a evolução do povoamento na cidade”, onde se fizeram importantes campanhas de escavação. O segundo eixo, vertical e temporal, convida a mergulhar no tempo, desde a época contemporânea até ao Paleolítico. Expostas estão 200 peças, mas existem milhares nas reservas, prontas a serem mostradas. A enriquecer a experiência museológica estão os contributos de artistas, como a composição sonora de João Pais Filipe, os vídeos e os aquários criados pelo Teatro do Frio e os desenhos de Daniel Silvestre. J.L. Parque da Pasteleira, R. Gomes Eanes de Azurara, Porto > T. 22 605 7000 > ter-dom 10h-17h30 > €4
3. Museu do Vitral, Porto
Fica no alto do Morro da Sé, próximo da catedral do Porto, o novíssimo Museu do Vitral. Instalado na Casa da Vandoma, numa parceria entre o grupo The Fladgate Partnership e a mais antiga oficina de vitrais do País, fundada em 1906, o lugar reúne uma seleção de obras do artista João Aquino Antunes, desde o vitral tradicional a painéis decorativos e a instalações de arte abstrata. “Foi o concluir de uma ideia com três décadas”, afirma João Ricardo, afilhado do pintor. Já a exposição, diz a curadora Emma Lochery, “vai além dos lugares de culto” e mostra “autênticos tesouros do vitral”. São 25 originais, de 1962 a 2015, em que estão “o início da desconstrução do tradicional vitral e as experiências de modernidade”. Ali, no mezanino, veem-se o esboço de Guilherme Camarinha para o vitral da Capela de S. Pedro, em Vila Nova de Gaia, e “uma obra de arte maravilhosa” de mestre Júlio Resende para o Tribunal de Vagos, em Aveiro. A visita termina com uma panorâmica sobre o epicentro turístico da cidade, a saborear um cálice de Porto. R. de D. Hugo, 2-6, Porto > T. 93 882 0006 > qui-dom e seg 10h-19h > €8 (inclui um cálice de Taylors LBV)
4. Museu das Duas Rodas, Anadia

Um tapete de relva exemplarmente cuidado conduz-nos à entrada do Centro de Alto Rendimento em Sangalhos. Associado à estrutura desportiva, desde junho, está o Museu das Duas Rodas que reúne bicicletas e motorizadas, entre imaculadas e ferrugentas. “É um reflexo da indústria e do desporto na região, cuja missão é retratar a história das duas rodas”, diz Pedro Dias, um dos responsáveis. A museologia adaptou-se ao traçado circular, ao longo da pista indoor, num percurso de 250 metros. Na pedalada, alinham biciclos, raridades dos anos 70 e modelos utilizados por amoladores, padeiros e carteiros, seguidos pelo acelerar de motorizadas icónicas da SIS Sachs, Macal e Famel. Pendurados, há camisolas, selins, motores e capacetes. Dinâmico e interativo, o museu tem conteúdos multimédia, simuladores e um relevante espólio documental e fotográfico. Centro de Alto Rendimento, Velódromo Nacional, R. Ivo Neves, Sangalhos > T. 234 738 218 > seg-dom 10h-13h, 15h-17h > visitas por marcação prévia
5. Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho, Torres Vedras

Nasceu em Torres Vedras e continua a ser a grande referência do ciclismo nacional. A história de vida de Joaquim Agostinho e os seus feitos desportivos contam-se agora na cidade que o viu crescer, num museu batizado com o seu nome. Coube ao designer Henrique Cayatte projetar o percurso expositivo, uma visita interativa com conteúdos multimédia e uma série de objetos, que vão dos troféus, camisolas e medalhas à bicicleta em que pedalava quando teve uma queda que lhe foi fatal (Joaquim Agostinho morreu em 1984, aos 41 anos). Através da exposição permanente 53:11 Esforço e Glória. Joaquim Agostinho e Uma Volta à História em Bicicleta e da mostra temporária Um Outro Lado da Bicicleta, promovem-se o ciclismo enquanto desporto e o uso da bicicleta, falam-se de atletas como Marco Chagas e de profissionais como Francisco Araújo, mecânico de Joaquim Agostinho, cujo espólio está à vista dos visitantes, no edifício do antigo refeitório da Casa Hipólito, uma obra de arquitetura de Altino Gromicho, em cujos traços se nota a influência de Le Corbusier e de Oscar Niemeyer. Bairro Arenes, Hipólito Center Park, Fração G, Torres Vedras > T. 261 320 740 > ter-dom 10h-13h, 14h-18h > €2
6. Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama, Setúbal

Na rua principal de Vila Nogueira de Azeitão, quase em frente à centenária Pastelaria O Cego, dá nas vistas o azul-forte da fachada de um edifício de dois pisos. Foi restaurado há pouco e desde abril que acolhe a Casa-Memória Joana Luísa e Sebastião da Gama. Não se trata propriamente de um museu, antes de um lugar que pretende preservar a memória do poeta, nascido na vila, em 1924. Doada em testamento por Joana Luísa, viúva do escritor, a casa reúne alguns objetos pessoais do autor de Serra-Mãe e, no segundo piso, o seu espólio e biblioteca. Também é possível assistir a dois pequenos vídeos: o primeiro segue a vida de Sebastião da Gama (vale a pena ver, sobretudo pelas fotografias e vídeos de época), o segundo percorre toda a região da Arrábida – porque, como dizia o poeta, “o mais difícil não é ir à Arrábida. Difícil, difícil é entendê-la”. No final, para acabar o passeio, recomenda-se uma ida a O Cego: tem os melhores esses do mundo. S.B.L. R. José Augusto Coelho, 105, Vila Nogueira de Azeitão > T. 96 975 4510 > ter-sex 9h30-12h30, 14h-18h, sáb-dom 15h-19h
7. Museu – A Estação, Palmela

A vila de Pinhal Novo, para onde se deslocaram, em 1930, cinco mil pessoas vinculadas à ferrovia, cresceu à volta do comboio. Esta ligação ferroviária, a evolução da máquina e a identidade da comunidade são a base deste polo museológico que ocupa o edifício de passageiros da antiga estação daquela vila no concelho de Palmela. No exterior, destacam-se os 25 painéis de azulejos e, entre linhas, a torre de sinalização e manobra ferroviária desenhada por Cottinelli Telmo. “É uma obra única da arquitetura portuguesa feita em betão e vidro que, no futuro, gostávamos que fosse visitável”, diz Teresa Rosendo, responsável pela museologia. Ao longo da exposição, viaja-se das máquinas a vapor à eletrificação, através do espólio doado ou depositado à guarda do museu, descobrem-se fardas, equipamentos, bilhética e documentação, grande parte proveniente das famílias de dois antigos ferroviários, Rafael Augusto Rodrigues e Manuel Ribeiro. Antiga estação ferroviária do Pinhal Novo, Pç. José Maria dos Santos, Pinhal Novo, Palmela > T. 21 238 4171 > ter-dom 10h-12h30, 14h-18h > grátis
8. Palácio Ficalho, Serpa

Pela primeira vez em 600 anos de história, os atuais proprietários do Palácio Ficalho abrem ao público esta casa senhorial do século XVII, monumento nacional desde 2007. Até maio passado, o seu interior era um tesouro escondido para quem passava junto à muralha medieval de Serpa, agora, em hora e meia de visita guiada, fica-se a conhecer um dos melhores exemplares portugueses de uma residência palaciana, onde há uma escadaria real, a Sala dos Espanhóis, com uma coleção de pintura, aposentos decorados com belíssimos painéis de azulejo e um jardim. Gravuras e objetos pessoais ajudam a contar a história da família de Matilde Maria de Mello, a herdeira dos Mello de Serpa, cujo membro mais ilustre foi o 4º conde de Ficalho. De referir, ainda, que o monumental aqueduto de Serpa foi construído para abastecer com água esta casa. Lg. dos Condes de Ficalho, Serpa > marcações: T. 93 711 2787, visitas@patrimoniumcultural.pt (com pelo menos uma semana de antecedência) > €7,50, €4 (menores de 18 anos)
9. Museu de Arqueologia e Etnografia de Elvas – António Tomás Pires, Elvas

O pátio exterior, onde está a exposição de heráldica, dá as boas-vindas ao Museu de Arqueologia e Etnografia de Elvas, que ocupa, desde maio passado, a o edifício da antiga Manutenção Militar. Dividido em dois pisos e várias salas, conta a história deste território da raia alentejana a partir de duas coleções, a de etnografia do extinto Grémio da Lavoura, com várias alfaias agrícolas e outros objetos, e a de arqueologia, num projeto museológico impactante ao nível arquitetónico e tecnológico – tem mesas interativas, vídeos, objetos que geram conteúdos. A coleção permanente – O Território: Do Passado ao Presente, Das Pessoas aos Objetos – está dividida por vários núcleos. No piso 1, há três fornos antigos à vista e descobrem-se a comida dos ganhões, o pão, o vinho e o azeite; em cima, destaca-se o património cultural e imaterial. Lg. da Sra. da Oliveira, 1, Elvas > T. 268 624 601 > qua-dom 10h-13h, 15h-18h > grátis
10. Museu de Arqueologia de Alvalade, Santiago do Cacém
No centro histórico da vila de Alvalade, concelho de Santiago do Cacém, este museu ocupa a antiga Igreja da Misericórdia. A visita à exposição permanente Memórias da Terra, das Águas e dos Povos faz-se de tablet na mão, numa viagem da Pré-História aos nossos dias, com muitas curiosidades pelo meio. O projeto museológico combina as tradicionais vitrinas, painéis explicativos, fósseis e outros objetos com uma aplicação de realidade aumentada que permite ver cavalos primitivos a correr, vacas-marinhas no seu habitat natural, tubarões a nadar na direção do visitante – na região, encontraram-se dentes de tubarão fossilizados. Se apontar à cúpula da igreja, esta ganha vida e os anjos dão um concerto, numa animada viagem no tempo. Pç. D. Manuel I, Alvalade, Santiago do Cacém > T. 269 827 375 > ter-sáb 9h30-12h30, 13h30-17h30 > grátis
11. Núcleo Museológico de São Pedro, Grândola

É com a inscrição dos versos “Quem for a Grândola um dia/ Muita coisa há de trazer”, de Zeca Afonso, que se inicia o percurso expositivo do Núcleo Museológico de São Pedro naquela vila. Instalado na antiga Igreja da Misericórdia – um edifício religioso, mandado construir nos finais do século XVI, com o consentimento da Ordem de Santiago –, conta a história deste território feito de monumentos megalíticos, necrópoles de cistas, minas, fábricas de salga, templos e ruínas. No pequeno auditório, projeta-se um filme alusivo à história do concelho de Grândola, desde a Pré-História ao século XX. Uma instalação da autoria do designer de moda Christian Louboutin – composta pelo Tote Bag Portugaba, inspirada na tradição têxtil portuguesa, e pelos sapatos Melina, Pigalle Strass e Divazeppa – encerra o percurso expositivo. Lg. de São Pedro, Grândola > T. 269 450 129 > seg-sáb 9h30- 13h, 14h-17h > grátis
12. Centro de Arqueologia e Artes de Beja, Beja

Enquanto não é possível visitar os vestígios arqueológicos do antigo fórum romano de Pax Julia e outros achados que, em breve, serão mostrados no Centro de Arqueologia e Artes de Beja, explora-se este novo equipamento através da exposição Cangiante – A partir da Coleção da Caixa Geral de Depósitos. Com curadoria de Antonia Gaeta, mostra obras de mais de 30 artistas, num diálogo entre técnicas e materiais representados na coleção. Ao longo de seis salas, admira-se a pintura do gato com laço vermelho de Lourdes Castro, um autorretrato de Gaëtan, uma tela-escultura de Helena Almeida, a obra Pé de José Loureiro ou The Ant Song de Ana Jotta. Há ainda peças inéditas de Ana Manso e de Dayana Lucas (artistas convidadas), esculturas de Jorge Vieira, um desenho de Pedro Calapez, mostrado pela primeira vez, e uma composição sonora produzida pelo Conservatório de Música da cidade, com a qual se dá início à exposição. Pç. da República, 42, Beja > ter-sáb 10h-13h, 15h-19h > €3
13. Casa da Cidadania Salgueiro Maia, Castelo de Vide
A 1 de julho, dia em que Fernando Salgueiro Maia, capitão de Abril, faria 77 anos, inaugurava-se a casa-museu com o seu espólio particular, doado à Câmara Municipal de Castelo de Vide, onde nasceu, com o desejo expresso em testamento de ter um lugar onde fosse mostrado. Entre as peças que compõem a Casa da Cidadania, instalada na Praça de Armas do castelo, estão fichas escolares, condecorações, diplomas e louvores, uniformes militares, armas e até o megafone com o qual, nesse dia do 25 de Abril, no Largo do Carmo, em Lisboa, o capitão Salgueiro Maia intimou Marcelo Caetano a render-se. Praça de Armas do Castelo, Castelo de Vide > T. 245 908 232 > ter-dom 9h15-12h45, 15h15-17h45 (1 jun-30 set), 9h15-12h45, 14h15-16h45 (1 out-31 mai) > grátis
14. Núcleo de Arte Contemporânea de Reguengos de Monsaraz, Reguengos de Monsaraz

O primeiro polo de arte contemporânea de Reguengos de Monsaraz instalou-se, em maio, no Palácio Rojão, ocupando uma das salas do edifício que é também a casa, desde 2013, da Biblioteca Municipal da cidade alentejana. A exposição inaugural mostra dez obras da coleção do Novo Banco, cujas peças se mostram em vários museus e galerias do País. Transgressão (1987), de Graça Morais; o óleo sobre tela Janela Enquadrada (1989), de Manuel Amado; Cuadrado Tabla 27-94 (1994) e Cuadrado Tabla 28-95 (1995), de Lucio Muñoz; uma pintura a tinta celulósica sobre tela e a pintura a óleo sobre tela Paisagem, de Noronha da Costa, três pinturas de José Pedro Croft e uma escultura de 2004, em contraplacado de madeira de tola, de Rui Sanches, preenchem as paredes desta nova galeria dedicada à arte contemporânea. R. Conde de Monsaraz, 30, Reguengos de Monsaraz > qua-dom 10h-12h30, 14h-17h30 > grátis



