Há um ano, quando abriu portas, o Praia no Parque já trazia em si a promessa de alargar as refeições ao enorme balcão de mármore que faz de bar. Demorou mais do que se esperava a cumprir esse desígnio, mas aqui está ele, com vários lugares disponíveis para se comer fora das horas de aperto – leia-se à noite, quando a coisa vira discoteca. A variedade não se fica apenas pela quantidade de bancos altos, de veludo azul-petróleo, mas estende-se à ementa. Será melhor usar o plural, visto o cardápio estar dividido em três categorias: saladas e vegetais, tapas e cru & sushi.
Dos dois primeiros não rezará grande história, apesar de a salada de caranguejo-real ficar no ouvido, de nunca dispensarmos uma boa burrata e de sonharmos molhar os totopos no guacamole. Mas o que mais diferencia esta nova oferta são os 12 lugares que estão destinados ao sushi. A servir-nos, nesta zona, está a dupla de brasileiros Lucas Azevedo e Celso Szczerba, apostada em dar-nos um banho de cultura nipónica, além de uma mão-cheia de pratos de qualidade. Não será por acaso: o wasabi é fresco e ralado ao momento, o gengibre guardado em pickle caseiro, o molho de soja feito na cozinha, sem pilhas de sal, o atum maturado até três semanas e as algas dos temaki aquecidas no binchotan, o carvão japonês.
Qualquer passagem por este balcão pode – e deve – começar com umas ostras da ria Formosa (três unidades, €7), servidas com momiji oroshi, uma mistura de daikon, malagueta, cebolinho e molho ponzu. E seguir pelo carpaccio de lírio (ou outro peixe gordo), cortado fininho e banhado num molho ubemoshi, com base em ameixa japonesa, sake, soja e mirin (€16).
O trabalho segue, bem à frente dos nossos olhos, sempre com facas lindas por perto. E muita informação a juntar-se a um surpreendente mix de nigiris (€24). “São para comer à mão, mal chegam ao prato, tudo de uma vez. O arroz leva vinagre envelhecido, serve-se morno e ainda deve parecer vivo quando acaba de ser feito”, explica Lucas Azevedo, que aprendeu muito do que sabe sobre o Japão no restaurante Bonsai. Sentimo-nos mal, pois parece-nos demasiado empenho quando o comparamos com a avidez com que desaparecem os nigiris. “O prazer é rápido. Tudo o que é bom acaba depressa”, remata o chefe, conformadíssimo com a aparente disparidade de velocidades.
Praia no Parque > Av. Sidónio Pais, 24, Parque Eduardo VII > T. 96 884 2888 > serviço de barra ter-sáb 12h-18h