A 27 de outubro, Israel foi a votos pela primeira vez após o 7 de outubro de 2023, com a participação mais alta desde 1999: 77,7%. Convém dizer que Estado foi às urnas. Um Estado em guerra em três frentes em 2026: o genocídio em Gaza, sob um cessar-fogo nominal desde 10 de outubro de 2025; no Líbano, onde a guerra recomeçou a 2 de março; e no Irão, que os Estados Unidos e Israel bombardearam a 28 de fevereiro, matando Ali Khamenei no primeiro dia, até ao cessar-fogo de 8 de abril. Um Estado cujo primeiro-ministro responde em tribunal há seis anos por corrupção, fraude e abuso de confiança, tem mandado de captura do Tribunal Penal Internacional desde 2024 e pediu ao Presidente, em novembro de 2025, um perdão que Donald Trump lhe recomendara por carta.
Os atropelos têm datas. Em março de 2025 o governo demitiu o chefe do Shin Bet, Ronen Bar. A 21 de maio o Supremo declarou a demissão ilegal: Netanyahu estava em conflito de interesses, porque o serviço de inteligência investigava o seu gabinete. Em julho, 73 deputados votaram a expulsão de Ayman Odeh, da Hadash-Ta’al, por se ter alegrado com a libertação de reféns e de presos palestinianos. Faltaram-lhes dezassete votos. Em agosto o governo demitiu a procuradora-geral, Gali Baharav-Miara, e a 14 de dezembro o Supremo anulou a demissão por unanimidade, com o ministro da Justiça a chamar-lhe “intervenção ilegal”. Em janeiro de 2026 a polícia concluiu o inquérito a que os israelitas chamam Qatargate: três colaboradores de Netanyahu suspeitos de receber dinheiro do Qatar para melhorar a imagem de Doha enquanto Doha mediava com o Hamas. Um deles, Jonatan Urich, admitiu à polícia, segundo as transcrições divulgadas em outubro, “centenas de milhares de shekels” e não ver nisso “problema moral”. Guardem o Qatar, que ele volta.