Existe qualquer coisa de profundamente irónica – e deliciosamente tardia – em ver Tom Cruise de botas de cowboy, a dançar com uma pá num apartamento manhoso ainda em obras, como se tivesse perdido o GPS da carreira algures entre um avião a cair e outro a levantar voo. Digger, o novo filme de Alejandro González Iñárritu, ainda mal existe oficialmente e já parece mais comentado, interpretado e projetado do que muitos filmes completos. E talvez seja esse o ponto: este não é apenas um filme. É um exercício coletivo de imaginação, ansiedade e desejo de ver, finalmente, uma estrela absoluta a tropeçar sem rede – e, desta vez, em exclusivo nas salas de cinema.
Iñárritu nunca filmou para proteger ninguém
