O procônsul Marco Rubio, que não sabe bem como vai administrar a Venezuela, desdobrou-se em explicações nas televisões americanas, depois de o cônsul ter feito asneira: uma coisa era replicar o que foi feito no Panamá, com Noriega, colocando a governar um opositor protegido nos EUA; outra, bem diferente, era afirmar, fora do guião, que os americanos iam governar a Venezuela até ver.
E o “até ver” é o petróleo a correr na direcção certa. Trump dá sinais físicos e mentais preocupantes, algo que ficou bem visível na conferência de imprensa em Mar-a-Lago, em conjunto com uns «miúdos» deslumbrados com os foguetes e com a operação psicadélica em Caracas. Trump anda às voltas, e não estava previsto tomar conta da Venezuela, pelo menos nesta fase em que um juiz vai olhar para a acusação contra Maduro.
A corrida às televisões tinha também como objectivo dar a ideia de que existia um plano, uma estratégia ou, pelo menos, uma ideia para o pós-Maduro. Nada. Zero. Em Caracas continuam a governar os mesmos, a vice é a presidente interina, e o Departamento de Estado não quer saber da oposição interna. Não há um plano para o presente, e muito menos para o futuro, que não seja a vertigem do petróleo.
O que pretendia ser uma operação cirúrgica bem-sucedida pode acabar com a colocação de tropas americanas na Venezuela — com tudo o que isso implica de invasão avulsa e precipitada — atirando os EUA, mais uma vez, para o papel desastroso de construtor de nações. Trump não está bem, no seu perfeito juízo, e não tem ninguém que lhe diga isso, cara a cara. Pelo contrário: avisou agora que a Gronelândia não escapará à ocupação americana.
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