Se 2026 não será, pelo menos em números absolutos, o ano, para já, com mais estreias portuguesas nas salas, tudo indica que poderá afirmar-se como um dos momentos mais claros, politicamente assumidos e artisticamente confiantes do cinema nacional recente. Um ano menos refém do consenso e do statu quo, mais interessado em dizer alguma coisa, mesmo que isso implique ruído, desconforto ou divisão entre a crítica e os espectadores.
Há um traço comum que atravessa grande parte dos filmes portugueses de 2026: a recusa da neutralidade. Seja na relação com a memória política recente, com o passado colonial, com a precariedade económica e emocional do presente ou com a própria ideia de identidade nacional. O cinema português que vamos ver em 2026 não se vai esconder atrás do confortável nem da ideia de “um cinema feito só para os festivais”. Alguns jovens cineastas querem mesmo arriscar e chegar ao grande público.
