A confiança dos portugueses na vacina mantém-se, mas aumentou o número de pessoas que não a pretende tomar, afirmou a especialista Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Publica, na reunião desta semana no Infarmed.
Num inquérito que avaliou a perceção dos participantes em relação à segurança e à eficácia da vacina, concluiu-se que 16,9% dos portugueses se mostraram muito confiantes em relação à segurança e 7,7% à eficácia, enquanto 70%,8 mostrou-se confiante em relação à segurança e 79,8% à eficácia.
Cerca de 10% dos inquiridos já tinha tomado a vacina mas, entre os restantes, 7,8% disse que não a ia tomar, o que representa um aumento face aos 1,7% que deram a mesma resposta ao inquérito feito em marco.
No entanto, a percentagem de pessoas dispostas a serem inoculadas é de 82,2%. “Houve alterações nas intenções”, mas não parece haver ” uma perda significativa” da confiança na vacina, considerou Carla Nunes que, tendo em conta estes dados, não prevê problemas no cumprimento do plano de vacinação.
Os mais desconfiados em relação à vacina são as pessoas de faixas etárias mais novas, que perderam parte ou a totalidade do seu rendimento, que já não tomavam a vacina contra a gripe, com baixa confiança nos serviços de saúde e nas medidas do Governo e que consideram a informação sobre a vacina pouco clara ou inconsistente.
Já no que diz respeito aos comportamentos houve muitas alterações. Nas últimas semanas, 7,5% dos portugueses esteve com um grupo de dez ou mais pessoas, o que representa um aumento face aos 4,9% registados em março.
Também aumentou o número de pessoas que diz ter maior dificuldade em cumprir as medidas de segurança sanitária, como usar máscara, praticar o teletrabalho ou ficar em casa. Em relação à máscara, por exemplo, 14,5% dizem ter-se tornado “muito difícil” o seu uso, enquanto em março apenas 7,5% tinham a mesma opinião.
O número de portugueses que se sentem agitados, ansiosos ou tristes devido ao isolamento social é de um em cada quatro.
A especialista notou que não existe uma relação clara entre a incidência do vírus e densidade populacional da área geográfica. No entanto, apelou à definição de estratégias: “É urgente, com a transmissão rápida que existe, e independentemente da consistência temporal”.