O que vai acontecer quando a gripe se conjugar com a Covid-19 é uma interrogação que há algum tempo inquieta alguns cientistas. Agora, com a chegada do outono e perante uma esperada segunda vaga, o apelo a todos os cuidados aumenta. Os resultados de um pequeno estudo realizado no Reino Unido dão mais algumas pistas e um ponto que parece reunir consenso. Ter gripe e Covid-19 ao mesmo tempo aumenta significativamente o risco de morte.
É verdade que as provas deste duro golpe são limitadas – porque provêm da análise dos dados de apenas 58 pessoas. Mas, insiste Jonathan Van-Tam, médico de saúde pública e conselheiro-mor do governo inglês para as questões de saúde, quase metade das pessoas que desenvolveram as duas infeções (43%) acabaram por morrer. Já entre os doentes Covid, a percentagem baixou para 26,9 por cento. “Penso que a diferença relativa das taxas é mais importante e é a ela que estamos a prestar atenção”, salientou, citado pelo The Guardian.
Todos os anos, segundo dados da OMS, a gripe mata cerca de 60 mil pessoas na Europa. Em Portugal, o último balanço conhecido aponta para três mil – valor que constava do relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe sobre a época 2018/2019. Daí a preocupação crescente com possíveis coinfecções.
É certo que quem adoecer com gripe parece ter menos probabilidades de contrair Covid. Mas, alerta ainda Yvonne Doyle, outra responsável de saúde pública britânica, “este não é um bom momento para acumular as duas e ver o que acontece”. Assim, no seu entender, o que deve prevalecer é um aumento da proteção – ou seja, mais gente vacinada contra a gripe.
Por cá, a direção geral da Saúde também já fez saber que queria antecipar o processo e alcançar os dois milhões de pessoas vacinadas antes do inverno.
