Enquanto viajamos estrada fora, falemos sobre a história da população indiana, bem como da sua língua.
Segundo o “World Fact Book” da CIA, actualmente 72% da população é indo-ariana, 25% é dravidiana e 3% é mongol e outras.
Cerca de 1500 A.C. a Índia foi invadida em vagas sucessivas por tribos vindas do noroeste que a si próprias chamaram de “arya” (arianas), palavra que significa nobre, respeitável. Estas tribos levaram consigo uma língua e também uma religião naturalista que divinizava as forças da natureza. Tinham o culto dos heróis e a sua cultura assemelhava-se à dos povos europeus ou da antiga Grécia, dos romanos, germanos e nórdicos.
A sua fusão com os já existentes habitantes dravidianos deu origem à cultura clássica indiana.
De facto a palavra “ariano” é associada hoje à ideologia nazi, que a usou para classificar uma suposta raça pura, de povos nórdicos e mais especificamente, germânicos. É incorrecto, porém. A palavra ariano refere-se efectivamente àquele subgrupo de indo-europeus que se estabeleceu no planalto iraniano desde o final do terceiro milénio A.C. e que povoou a Península da Índia por volta de 1500 A.C.
Os povos indo-arianos são constituídos por uma vasta diversidade de etnias que falam a língua indo-ariana – esta pertencente à família das línguas indo-europeias. O indo-europeu é uma ampla família de línguas que engloba a maior parte das línguas europeias antigas e em uso. Tem este nome porque corresponde à região geográfica que se estende da Europa e Irão até à Índia setentrional. São cerca de 450 línguas, faladas por aproximadamente três biliões de pessoas, cerca de metade da população mundial. Uma das línguas indo-arianas é o hindi. Outras são por exemplo o sânscrito (língua clássica da Índia antiga que influenciou praticamente todos os idiomas ocidentais), o bengali (falado em Bengala, na Índia, bem como no Bangladesh) e o urdu (falado no Paquistão e em Caxemira).
Já a palavra dravidiano foi criada no séc. XIX por Robert Caldwell, o qual estudou as línguas dravidianas. Vem do sânscrito “dr?vida”, palavra usada no século VII para designar a língua Tamil usada no sul da Índia. Os dravidianos são assim os que falam as línguas dravidianas, e estas encontram-se sobretudo no sul da Índia. Têm pele escura e, por isso, são por vezes considerados aparentados com os aborígenes australianos.
A classificação dos dravidianos varia bastante. Enquanto autores como L.L. Cavalli-Sforza, especialista em Genética Populacional, e baseado em estudos efectuados nos anos 1980, considera que os indianos são geneticamente caucasianos, outros como Richard Lewontin, estudioso da Biologia Evolutiva (tal como Darwin) rejeitam esse rótulo. Cavalli-Sforza considera que os indianos são três vezes mais parecidos com os europeus ocidentais do que com os asiáticos orientais. Por outro lado, autores como Eduardas Valaitis consideram que a Índia pode ser considerada bastante distinta de outras regiões. Neste sentido vai também o especialista em Antropologia Genética Stanley Marion Garn, o qual considerou nos anos 1960 existir no subcontinente indiano uma “raça” geneticamente distinta das outras populações.
(Pesquisas efectuadas no “World Fact Book” da CIA; e em en.wikipedia.org).
O tema, portanto, não é fácil nem consensual: os indianos têm uma raça própria?
E aliás, a questão não termina com a mistura de indo-arianos e dravidianos, pois no século VIII vêm as invasões árabes, e mais tarde, no século XII, vêm ainda as invasões turcas. Toda esta mistura de populações pode ser considerada uma raça própria?