A Gronelândia servirá, segundo Trump, para instalar mísseis intercetores e centros de deteção avançada para a sua “Golden Dome” — só poderia ter este nome — inspirada na “Iron Dome” dos israelitas. Entre as autoridades civis e militares de Israel debateu-se, a seu tempo, se poderiam chamar-lhe cúpula dourada, e a resposta foi negativa, devido ao pretensiosismo absurdo dessa designação para um sistema militar de defesa.
Pouco importa, na verdade, e a Cúpula Dourada está batizada e abençoada pelo Presidente dos Estados Unidos, que já decidiu comprar, arranjar ou ocupar a Gronelândia para os mísseis de longo alcance. O que Trump não diz, nem dirá, é que, do ponto de vista da Física e militar, o projeto é quase impossível de concretizar. As leis da Física são implacáveis, e o território a proteger é continental, não um país exíguo como Israel.
Não vale a pena entrar em pormenores para além da insensatez de Trump, que ameaça, acha-se um super-homem, faz birras, insulta e cria o caos junto dos seus parceiros mais sólidos e antigos, sem se importar com o que os próprios americanos pensam: não querem comprar nem invadir uma região autónoma da Dinamarca. Nem lhes passa pela cabeça que isso possa acontecer, mesmo entre a sua base republicana mais extremada.
A “Golden”, mesmo dobrando as leis da Física, nunca seria um projeto de um só presidente com apenas três anos de mandato — levaria décadas, na sua versão megalómana — e, por isso, a “guerra” da Gronelândia é a sua grande conquista para a História. Seria, pois. Donald precisa de arranjar outra causa, como presidente do Conselho da Paz, com Putin, Xi e Kim Jong-un. Mais o democrata presidente da Bielorrússia.
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