Trump quer a Gronelândia, tal como quer o Canadá. Inteiros. Por convicção. Por teimosia. Por obsessão. Para mostrar boa vontade — essa palavra tão maleável — nomeou um enviado especial para negociar com Copenhaga. Um gesto civilizado. Quase diplomático. Finge-se boa vontade quando já lá está uma base aérea americana. E quem tem uma base tem sempre razão.
Que fará o enviado especial? Pouco. Muito pouco. Talvez nada. Limitar-se-á a anunciar que a Gronelândia passa a ser território soberano americano num curto espaço de tempo. Antes de 2028. As datas resolvem conflitos. «Era o que faltava», dirá a Dinamarca. «Isso é uma invasão, como a de Putin na Ucrânia.» «Pois é», responderá o enviado. «E então?»
«Era o que faltava», repetirá Copenhaga. «Vamos Invocar o Artigo 5.º da NATO. Um ataque a um é um ataque a todos». «Ai, sim?», responderá Washington. «Então abandonamos a NATO». Faz parte da estratégia. Sempre fez. Depois espera-se. Com paciência. Qual é o aliado que se atreve? A Gronelândia é americana. «É minha». Exclamação. Parágrafo. O Governo local fica suspenso. O Parlamento também. Quem mandará no Ártico será um governador. Nomeado pela Casa Branca.
Mais: Trump quer construir um hotel e um campo de golfe. Talvez dois. Mais um condomínio de luxo virado para o Pólo Norte. E uma «Torre T». Tudo com muitos dourados. E muitos brilhantes. E muitas lantejoulas. Se o enviado especial falhar, ou encolher-se, vai Witkoff e o genro! Com a ajuda de dois russos, pois claro!
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.