A Juventude Social Democrata prepara-se para entrar numa década decisiva, num contexto marcado pela imprevisibilidade do panorama internacional, pela crescente polarização política, pela desinformação constante nas redes sociais e por uma pressão acrescida nos partidos políticos. No próximo mês de maio, a JSD entrará num novo ciclo político em que terá de repensar, com clareza e ambição, o seu papel na juventude portuguesa. Não podemos apenas acompanhar o tempo, devemos enfrentá-lo politicamente.
Um dos primeiros grandes desafios prende-se com o posicionamento político num sistema parlamentar cada vez mais fragmentado e instável, num sistema internacional com conflitos prolongados, tensões entre as grandes potências e perante a inação da União Europeia e a incerteza económica. Este tempo exige uma geração preparada e pronta para o combate político, mas, acima de tudo, preparada para pensar em soluções para os problemas reais dos portugueses. Além disso, a JSD deve manter a sua responsabilidade na formação de novos quadros políticos, continuando a ser um espaço de formação, de pensamento crítico e de promoção de uma discussão política simples e qualificada.
Neste sentido, a relação do PSD com o Chega será também um dos temas incontornáveis da próxima década ou dos próximos cinco anos. A JSD não pode fugir a este tema, deve enfrentá-lo com frontalidade e maturidade política, afirmando um posicionamento claro em relação ao CH. Devemos traçar uma linha política clara em defesa dos valores fundacionais da democracia liberal e da liberdade. Não podemos ignorar o CH, mas devemos confrontá-lo politicamente através da desmitificação da retórica e da apresentação de soluções concretas para as pessoas. A JSD deve estar na linha da frente na resolução dos problemas reais dos portugueses e no combate ao populismo.
Por outro lado, teremos três temas que dominarão o debate público nos próximos dez anos: a Inteligência Artificial, a Economia e a Defesa. Comecemos pela Inteligência Artificial, que mudará por completo o mercado de trabalho com a sua implementação, bem como o seu uso nas universidades e a própria organização do Estado português. A JSD tem de estar na primeira fila deste debate político, afirmando a transição digital e o acompanhamento da mesma, mas com a defesa intransigente da ética e da regulamentação da IA em determinados contextos — por exemplo, a regulamentação da IA no Ensino Superior, para minimizar os vícios da IA na aprendizagem dos estudantes universitários.
Já a Economia será um dos temas dominantes dos próximos anos, devido à necessidade de o nosso país ser mais competitivo e capaz de reter talento jovem para termos uma maior produtividade e para proveito da geração mais bem qualificada de sempre. No entanto, a imprevisibilidade do panorama internacional poderá trazer novos desafios à economia portuguesa, desde a minimização do impacto da instável subida e descida das taxas de juro, o fim do PRR e a possibilidade de termos mais crises a curto prazo devido à guerra na Ucrânia e às intervenções díspares dos Estados Unidos. Neste contexto adverso, a JSD tem de assumir um papel ativo na elaboração de propostas concretas para a defesa de uma maior justiça social entre todos os jovens.
A última temática que marcará os próximos tempos será a Defesa. Num panorama internacional mais instável, o investimento em Defesa será um dos temas dominantes no espaço público português. Para além do investimento em defesa, a segurança e a valorização das Forças Armadas serão dois temas relevantes para o debate político. Neste sentido, a JSD deverá informar os cidadãos comuns de que forma será feito o investimento em defesa no nosso país. Devemos contribuir para a informação neste debate com uma perspetiva jovem, ponderada e informada sobre o tema.
Por fim, o futuro da JSD decidir-se-à no próximo mês, no 29.º Congresso Nacional da JSD, em Viseu. Independentemente da liderança que for vencedora, será importante a JSD voltar com a sua ousadia política, a máquina intelectual de propostas, e que continue a formar as próximas gerações de militantes com maior atrevimento político e responsabilidade política. A JSD deve acompanhar os tempos, e não poderemos pensar a nossa JSD daqui a 2, 4 ou 8 anos. Devemos prepará-la para a próxima década porque os tempos estão a mudar, e a juventude portuguesa precisa de uma JSD pujante e de futuro.
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